26 outubro 2022

O que significa a lei da semeadura na Bíblia?



Você pergunta: Tenho estado desanimado de participar da minha igreja, pois meu pastor só tem pregado sobre a lei da semeadura e em todo culto fica o tempo todo falando que devemos ofertar mais se queremos receber mais de Deus. Gostaria muito de saber mais sobre essa lei da semeadura e se realmente esse tipo de pregação dele está correta perante Deus, se isso que ele tem pregado realmente é correto. 

 A Bíblia fala bastante sobre a lei da semeadura, porém, pessoas maldosas têm usado os princípios dessa lei citada na Bíblia (de forma distorcida) como algo para obter vantagens das pessoas, através da manipulação de textos bíblicos.

Vamos aprender de forma mais clara sobre essa lei e o que ela realmente quer dizer na Bíblia.
O que realmente significa a lei da semeadura na Bíblia?

(1) A lei da semeadura significa que quando alguém planta algo deverá colher algo baseado naquilo que plantou. Um exemplo simples para deixar mais claro: se eu plantar morangos colherei morangos.

Em toda a Bíblia encontramos esse princípio, porém, é importante compreendê-lo corretamente e exatamente como Deus o mostra a nós. Vejamos, por exemplo, este verso:

“Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (Salmos 126:6).

Aqui vemos claramente a ideia de alguém que plantou mesmo em dificuldades e colheu daquilo que plantou, viu o fruto de seus esforços.
Aspecto positivo e negativo da lei da semeadura

(2) A lei da semeadura tem um aspecto positivo (que vimos acima) e também um negativo. No aspecto positivo a pessoa que semeia algo bom colherá algo proveitoso em algum momento.

No aspecto negativo, aquele que por algum motivo não faz a sua parte e deixa de semear, não colhe nada, ou, às vezes, colherá coisas ruins por conta de sua atitude:

“Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará” (Eclesiastes 11:4).

Ainda pensando no aspecto negativo dessa lei, podemos ver que tudo que é de ruim que o homem plantar, um dia irá colher:

“O que semeia a injustiça segará males; e a vara da sua indignação falhará” (Provérbios 22:8).

(3) Ainda que muitas vezes possamos questionar a justiça de nossas “colheitas”, pois é evidente para todos que muitas vezes, mesmo plantando coisas boas nessa vida, nem sempre as conseguimos colher nesse mundo injusto, porém, a Bíblia deixa claro que Deus fará a justiça necessária e no tempo certo:

“Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia” (Salmos 37:6).
 

Por isso, não devemos desanimar em plantar aquilo que é correto e justo, mesmo que não vejamos a colheita desses frutos de forma imediata ou no momento que achamos que temos de colher. Um dia colheremos, pois Deus é justo. Nosso papel é plantar boas sementes!
Usos distorcidos da lei da semeadura

(4) Agora que entendemos bem o que é essa lei da semeadura na Bíblia, vamos analisar o que alguns espertalhões têm feito usando esse conceito para extorquir pessoas.

O principal texto usado é 2 Coríntios 9:6: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará”.
 

Esse texto é muito usado por alguns espertalhões da fé para dizer às pessoas que se elas querem colher bênçãos grandiosas de Deus têm que dar muita oferta na igreja (semear muito).

Mas será que é isso que esse texto ensina?

(5) Podemos ver claramente que Paulo está chamando as pessoas a generosidade e não está querendo trazer a ideia de que Deus só abençoa pessoas que ofertam “muito” para determinada obra e nem que Deus obrigatoriamente dá muito a quem dá muito.

O verso seguinte nos traz exatamente a ideia de ter um coração generoso e não a ideia de fazer negócio com Deus, onde eu dou algo e Deus obrigatoriamente precisa me dar de volta:

“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2 Coríntios 9:7).

O foco aqui é a alegria em obedecer a Deus, usando os recursos que Deus nos dá para abençoar vidas. Esta é a colheita: a obediência, a aprovação do Senhor e ver as pessoas sendo abençoadas.

É uma colheita espiritual acima de tudo. E não um toma-lá-dá-cá com Deus. 

(6) A lei da semeadura bíblica e genuína nos ensina sobre a nossa responsabilidade como mordomos (administradores) de tudo quanto Deus nos deu, seja força, capacidades, riquezas, inteligência e tudo mais. Deus nos deu todas essas coisas antes que fizéssemos qualquer coisa para merecê-las e deseja que as usemos de forma abençoada para frutificar e fazer o bem, para abençoar vidas de todo coração com um coração grato e não com um coração que só faz algo esperando algo em troca:

“Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te lembrarás do SENHOR, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas; para confirmar a sua aliança, que, sob juramento, prometeu a teus pais, como hoje se vê” (Deuteronômio 8:17)

(7) Por fim, quero dizer que, apesar da lei da semeadura nos trazer muitas coisas positivas (até mesmo materiais que Deus sabe que necessitamos), em grande parte dos casos, ela nos gera colheitas espirituais e não materiais.

Podemos ver isso na vida do próprio apóstolo Paulo, um homem extremamente generoso e comprometido com Deus, mas que relata algo interessante:

“em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez” (2 Coríntios 11:27).

Percebe como Paulo sofreu privações mesmo sendo generoso, mesmo semeando muito? Por quê? Não teria ele que colher os frutos da sua generosidade?

(8) Isso nos mostra que Deus não tem a obrigação de nos dar bens materiais e uma “vida boa” como colheita do que fazemos de bom.

A lei da semeadura bíblica é mais profunda do que isso e nos faz enxergar uma colheita superior, assim como Paulo enxergou:

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Timóteo 4:7).

Essa é a maior colheita da nossa vida! Aquela que vai além deste mundo e de suas coisas passageiras

Postado por Presbítero André Sanchez

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