27 junho 2024

Como Jesus ressuscitou ao terceiro dia se ele morreu na sexta-feira à tarde e ressuscitou domingo de manhã?

 Postado por Presbítero André Sanchez

Você Pergunta: Estou bem confuso com uma questão bíblica. Estava estudando mais a fundo a morte e ressurreição de Cristo e me deparei com uma dúvida que não consegui resolver até agora. Como Cristo pode ter ressuscitado ao terceiro dia se ele morreu na sexta-feira, no final da tarde, e ressuscitou no domingo pela manhã? 

Caro leitor, essa é uma questão bem interessante. Uma boa parte das pessoas, quando estudam a morte e ressurreição de Jesus buscam entender matematicamente essa questão, tentando achar as 72 horas (3 dias) entre a morte e ressurreição de Jesus e, obviamente, não acham…

E vou explicar o porquê que não temos 3 dias inteiros entre à morte e ressurreição do Senhor Jesus. Vamos analisar juntos os fatos para encontrarmos a resposta que você deseja, fazendo uma pequena cronologia da morte e ressurreição de Cristo.  

Em que dia da semana Jesus morreu e em que dia ressuscitou?

(1) Jesus foi preso e levado perante Pôncio Pilatos antes da comemoração da páscoa judaica; antes do meio dia da sexta-feira foi o horário em que Jesus foi condenado e iniciou a sua caminhada até o Calvário (João 19:14).

Em Lucas 23:44-46 e em Marcos 15:33-34 vemos registrado que a morte de Jesus se deu por volta da hora nona, ou seja, por volta de três horas da tarde.

Vemos também que os judeus que acompanhavam a crucificação não queriam que os corpos (de Jesus e dos ladrões crucificados ao lado dele) ficassem ali na cruz por muito tempo para não atrapalhar a festa da páscoa a ser realizada no outro dia, no sábado, solicitando as autoridades que fossem tirados dali (João 19:31). 

(2) Em João 20.1 vemos Maria Madalena indo até o sepulcro no primeiro dia da semana, domingo, e Jesus não estava lá, havia ressuscitado. Sendo assim, fica claro na Bíblia que Jesus morreu por volta das três da tarde da sexta-feira e ressuscitou em algum horário na manhã do domingo. 

(3) Podemos constatar que Jesus antes de sua morte já havia revelado aos seus discípulos que ressuscitaria no terceiro dia:

“Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mateus 16:21).

Em todos os quatro evangelhos vemos registrado a fala de que Jesus ressuscitaria ao terceiro dia (Mateus 20:19; Marcos 10:34; João 2:19).

(4) A explicação para essa aparente contradição é que Jesus ressuscitou “ao terceiro dia” ou “no terceiro dia” e não “três dias depois de sua morte”, o que implicaria que ele ficasse morto por 72 horas.

Era muito comum aos judeus considerar partes de um dia figuradamente como um dia completo. Por exemplo, no livro de Ester 4:16, vemos registrado que foi levantado um jejum por “três dias e três noites”, ao fim do qual Ester se apresentaria perante o Rei para suplicar pelos judeus.

Porém, vemos ali que eles começaram o Jejum já com o dia em andamento e que Ester foi à presença do rei “ao terceiro dia” (Ester 5:1), logo, esse período de Jejum não foi de 72 horas completas.

Da mesma forma as palavras de Jesus de que ressuscitaria ao terceiro dia seguiram esse mesmo esquema.

(5) Então, para entendermos bem, ficou dessa forma: Jesus morreu na sexta-feira (primeiro dia), passou-se o sábado (segundo dia), chegou o domingo (terceiro dia).

Daí, então, os escritos dizerem que Jesus ressuscitou “ao terceiro dia” ou “no terceiro dia” e não “três dias depois de sua morte”. Dessa forma, não encontramos contradições na Bíblia com referência a esse fato.

26 junho 2024

Como saber se estou passando por uma provação de Deus ou um ataque do Diabo?

  Postado por Presbítero André Sanchez

Você Pergunta: Estou passando por uma situação um pouco difícil em minha vida e fico refletindo todos os dias se isso que estou passando é uma provação que Deus está me dando ou é um ataque do Diabo para me derrubar. Como saber diferenciar esse tipo de situação? Como sabemos que estamos passando por uma provação ou um ataque do diabo?

Caro leitor, a primeira coisa que tenho a te dizer é que não se desespere diante dessa dúvida. Nem sempre é tão fácil sabermos exatamente se aquilo que estamos vivendo é uma provação ou uma tentação.

No entanto, a Bíblia nos dá algumas orientações bem interessantes que podem nos ajudar a avaliar a situação e ter esse entendimento de forma mais clara em nossa mente.

Tentação ou provação?

(1) A primeira coisa bastante clara na Bíblia é sobre a relação entre a tentação e Deus. Observe o que se diz: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tiago 1:13).

Esse texto nos leva ao entendimento claro de que Deus não é o autor da tentação quando esta ocorre em nossas vidas. A tentação sempre vai ocorrer com permissão de Deus, pois Ele é O Soberano, mas nunca pela ação direta Dele.

(2) Mas por que Deus não tenta as pessoas? Quando analisamos a tentação percebemos que ela acontece sempre visando trazer a pessoa a uma vida de erro e pecado, a uma vida de distância de Deus. Daí Deus não usar a tentação, pois ela é destrutiva.

Quem trabalha com a tentação é o Diabo, é o mundo, é a nossa carne. Eles nos tentam sempre com o objetivo claro de nos fazer cair diante de práticas que não agradam a Deus. É óbvio que nada acontece sem o consentimento de Deus, mas Deus não é o autor da tentação em nossas vidas.

Inclusive, a Bíblia ensina que Deus nos ajuda quando somos tentados e não permite aos tentadores que ultrapassem as nossas forças para resistir (1 Coríntios 10:13).

(3) O ato que Deus realiza em nossa vida é a provação. É por isso que a provação é vista de forma positiva na Bíblia: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações…” (Tiago 1:2).

A provação é encarada assim porque é vista como algo construtivo, que atua em nosso crescimento como pessoas e servos de Deus.

(4) Assim, para analisar se uma situação de nossa vida é uma provação ou uma tentação, precisamos refletir nesses pontos e avaliar se aquilo que estamos passando está ligado ao pecado e ao distanciamento de Deus ou se é algo ligado ao crescimento em alguma área de nossa vida.

Por exemplo, algumas pessoas passam por situações de estresse e pressões no trabalho. Esse tipo de situação pode ser uma tentação ou uma provação. Se as pressões estão vindo de forma normal e estão te forçando a exercer mais a paciência e a fé, são provações.

Mas se são pressões que estão vindo, por exemplo, por causa de estar fazendo desvios no caixa da empresa, ou saindo com aquela colega de trabalho que é casada, então, estamos diante de uma tentação.

(5) Às vezes não é fácil saber exatamente o que estamos vivendo, se provação ou tentação. Nesses casos, o melhor a fazer é intensificar a vida com Deus e buscar a cada dia colocar o coração na presença de Deus pedindo auxilio. Um caso como esse aconteceu com Jó.

Ele não sabia ao certo os objetivos de todo o sofrimento que passava, pois era um homem integro e mesmo assim estava passando por situações terríveis. Em alguns momentos, certamente, ele se questionou se o que passava era provação ou tentação ou se os dois juntos.

Mas se manteve firmado no Senhor e, no final, teve uma compreensão melhor das coisas que sofreu: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:5).

Nesse ponto podemos ver que houve provação na vida de Jó, pois ele compreendeu o crescimento que Deus lhe deu.

Porém, ele também foi tentado. Veja o que a esposa dele disse a ele: “Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2:9).

Essa era, certamente, a voz destrutiva do tentador querendo afastar Jó da presença de Deus.

A presença de milagres indica que uma igreja é verdadeira?

  Postado por Presbítero André Sanchez,

Nossa, naquela igreja tem milagres! Deus está ali! Esta é uma frase dita por muitas pessoas que, fascinadas pelos milagres, os usam como referência máxima de que a mão de Deus está no lugar em que os supostos milagres estão.

O fato de uma igreja mostrar o acontecimento de milagres em seu templo prova que ela é uma igreja verdadeira e que seus líderes são verdadeiros servos de Deus?

A resposta é um sonoro não! Isso porque milagres não são referenciais absolutos de que uma igreja prega o verdadeiro Evangelho de Cristo (lembremos que há relatos de milagres em todas as religiões, até nas falsas). Por isso, milagres é um referencial um tanto perigoso, principalmente porque milagres podem ser manipulados.

Milagres manipulados pelo ser humano

Que o ser humano pode usar da arte do teatro para enganar, ninguém discute. Ao adentrar algumas igrejas, ninguém sabe o que se passa por detrás dos cultos. Eu mesmo conheço histórias de pessoas que foram pagas para simular “milagres” em cultos. E de outras que são sugestionadas ou quase hipnotizadas pelo ambiente e habilidade de alguns líderes. A ânsia pelos templos lotados, pelas ofertas e pelo poder tem feito líderes apelarem a certas “mentirinhas” para manter o povo cheio de “fé”. Os milagres, em nossa cultura, são garantia de igreja e cofres cheios, concorda?

Milagres manipulados pelo diabo

Interessante notar que a Bíblia está cheia de advertências nos alertando para ficarmos espertos com sinais e prodígios (dos quais podemos incluir os milagres). 

“porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.” (Mt 24. 24).

“Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira” (2Ts 2. 9). 

“Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada. Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens.” (Ap 13. 12-13)

“E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.” (2Co 11. 14-15) 

Ou seja: Sinais e prodígios não são indicadores absolutos de que os que os fazem são de Deus. Pode ser tudo manipulação do mal. Nos textos acima vemos claramente o poder de engano do mal. E onde esse mal irá operar seus enganos? Em algumas igrejas! É lá que ele buscará enganar. É lá que ele fará seus milagres de mentira. É o joio crescendo e tomando seu espaço!

É evidente que não estou negando que haja sinais e prodígios vindos de Deus e feitos através de servos verdadeiros, pois eles existem, e fazem parte da obra de Deus. O que precisa ficar claro é que sinais e prodígios não são os referenciais que provam que algo é de Deus ou não.

Mas qual é o referencial, então?

O referencial é a Bíblia. A igreja verdadeira é apoiada na Palavra. Sendo assim, os cultos são centralizados e apoiados na exposição da Palavra de Deus e na pessoa de Jesus Cristo, que é o centro da Bíblia, e não em milagres ou qualquer outro sinal visível de poder. Assim, devemos avaliar o todo: A tal igreja prega corretamente a Bíblia? Tem tempo suficiente em seus cultos para a exposição da Palavra? Prega heresias como a teologia da prosperidade e o culto aos milagres? Prega doutrinas estranhas que não se enquadram no que a Bíblia diz? Tem ênfase em Jesus Cristo ou nos sinais que fazem seus líderes? 

Todas essas questões nos ajudam a avaliar, olhando muito além dos milagres, se uma igreja está verdadeiramente pregando e vivendo a vontade de Deus, ou é palco da manifestação da falsidade enganadora do mal.

Deixo para finalizar uma palavra do apóstolo Paulo, que diz acertadamente: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema (amaldiçoado).” (Gl 1. 08)

Fiquemos alerta! Os milagres existem, mas nem todos são o que parecem ser!