23 julho 2021

Bildade e a Teologia da Prosperidade -L9

TEXTO ÁUREO

“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

VERDADE PRÁTICA
A verdadeira prosperidade é ter Cristo no coração. Ele é o nosso supremo bem! Louvado e bendito seja o Cordeiro de Deus!

LEITURA DIÁRIA
Segunda — Sl 30. A prosperidade pode gerar presunção
Terça — Sl 73.3 A prosperidade pode gerar inveja
Quarta — Pv 1.32 A prosperidade pode gerar destruição
Quinta — Jr 22.21 A prosperidade pode gerar apostasia
Sexta — 1Co 16.2 A prosperidade e a sua utilidade no reino de Deus
Sábado — Ec 7.14 A prosperidade deve ser desfrutada com temor

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Mateus 6.25-32.
25 — Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?
26 — Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
27 — E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
28 — E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam.
29 — E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
30 — Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?
31 — Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?
32 — (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas.

PONTO DE CONTATO
Se Jó era um homem reto diante de Deus, não tinha com que se preocupar, pois o futuro reservar-lhe-ia muita prosperidade e alegrias. Só os ímpios, aqueles que vivem sem Deus, conhecem a calamidade absoluta, dizia Bildade em seu austero discurso. Entretanto, descobrimos em Bildade dois graves defeitos que bastam para invalidar todas as suas palavras, tornando-as mais do que inúteis para Jó.

Em primeiro lugar, falta-lhe aquela simpatia pela qual Jó ansiava. Trágica falta! A conclusão de que a família de Jó morrera vitimada por um castigo divino, era como uma espada a traspassar um coração já exausto de dor e de angústia. Em segundo lugar, Bildade estava totalmente enredado nas malhas da tradição. Isto já aconteceu com você? Gostaria de ser consolado por um amigo semelhante a este?


OBJETIVOS
Após esta aula, seu aluno deverá estar apto a:
Sintetizar a teologia de Bildade.
Justificar, biblicamente, a improcedência da Teologia da Prosperidade.

SÍNTESE TEXTUAL
A ideia de que a salvação traz consigo riquezas materiais não tem fundamento bíblico embora seja um pensamento antigo, haja vista a arguição de Bildade.

Deus trata com cada um segundo o seu querer e, seu querer é que todos sejam prósperos. Se não for assim, como justificar a prosperidade de pessoas que não servem a Deus?

Se constitui maldade ver como em nossos dias associa-se muito facilmente pobreza a pecado na vida. Se observarmos bem, veremos de que lado está o pecado. E, com certeza, não é na vida dos filhos de Deus, mas dos ricos deste mundo que se apressam em aumentar suas riquezas à custa do sacrifício e sofrimento dos menos favorecidos, impondo-lhes um jugo difícil de suportar.

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA
Em seu livro “O que está por trás do G12”, pastor Paulo César Lima apresenta quatro equívocos da Teologia da Prosperidade. Destaque os pontos abaixo e identifique as divergências entre eles e a Bíblia. Consulte todas as referências.

1) “A Teologia da Prosperidade declara que Deus não diz ‘não’ às orações de seus filhos” (Ler Dt 3.23-29; 2Sm 12.15-23; 2Co 12.7-9).

2) “A Teologia da Prosperidade diz que devemos orar apenas uma vez por alguma coisa. A oração repetida significa falta de fé” (Ler Mt 26.44; 2Co 12.8; Gn 25,21; Lc 1.13).

3) “A Teologia da Prosperidade ensina que sofrimento significa falta de fé” (Ler 2Co 4.8,9; 11.23-29).

4) “A Teologia da Prosperidade afirma que pobreza não combina com nossa posição de filhos do Rei” (2Co 8.9; Tg 5.1,6; 2Tm 6.9,10,17-19).

INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas do Século 20, as igrejas evangélicas foram tomadas por uma teologia que acabou por substituir a verdadeira adoração a Deus por um espírito meramente comercial. Referimo-nos à pervertida e ímpia Teologia da Prosperidade.

Esse arremedo de doutrina levou os fiéis a inverterem os mais caros valores de sua fé: o mais importante, agora, para milhões de filhos de Deus não é o ser; e, sim: o ter. Dessa forma, as pessoas, em nossas igrejas, começaram a ser julgadas não pelo que eram, mas pelo que tinham.

Desse modo foi o patriarca Jó avaliado por seu amigo Bildade que, nesta lição, representa a Teologia da Prosperidade.

I. QUEM FOI BILDADE

Também não possuímos muitas informações acerca de Bildade. Limita-se a Bíblia a informar que este amigo de Jó era um suíta. Certamente morava ele em Canaã, onde Suá, à semelhança de Temã, era um daqueles pequenos reinos ali estabelecidos.

No Livro de Jó, temos três discursos de Bildade, que se encontram nos capítulos 8, 18 e 25.

II. A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
1. O que é a Teologia da Prosperidade. É a doutrina, segundo a qual o crente, por ser filho de Deus, jamais passará por agruras financeiras, pois foi ele destinado a viver de maneira regaladamente pródiga, sem ter de se defrontar com as carências materiais comuns a todos os seres humanos.

2. A doutrina de Bildade. Como predecessor da Teologia da Prosperidade, acreditava Bildade que, se Jó estava sofrendo e já nada possuía, era porque pecara contra o Senhor. Pois somente são atribulados aqueles que desobedecem a Deus. Logo: os que o obedecem, acham-se em larguezas e profusões.

A fim de fundamentar a sua doutrina, evoca Bildade o testemunho dos antigos: “Porque, eu te peço, pergunta agora às gerações passadas e prepara-te para a inquirição de seus pais. Porque nós somos de ontem e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra” (Jó 8.8,9).

3. A falácia de Bildade. Quão falacioso e sofistico era Bildade! Além de brincar com as palavras e jogar com raciocínios aparentemente válidos, ousa invocar até o depoimento dos antigos. Não agem assim os modernos proponentes da Teologia da Prosperidade? Na defesa deste aleijão doutrinário, torcem as Sagradas Escrituras, brincam com a verdade, fazem uso de subterfúgios lógicos e até citam, fora de seu contexto, o testemunho dos antepassados (2Pe 3.16).

III. AS CONTRADIÇÕES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
Se Bildade viveu num período anterior ao patriarca Abraão, como acreditamos, que exemplo poderia ele apresentar dos antigos, para que a sua doutrina fosse devidamente justificada?

1. A prosperidade material. De acordo com a História Sagrada, os ímpios vêm prosperando materialmente muito mais do que os justos (Sl 73.1-10). O que dizer da civilização inaugurada pelo homicida Caim? A cidade por ele fundada era, tecnologicamente, avançadíssima (Gn 4.17-22). Enquanto isso, nem notícia temos do progresso alcançado pelos filhos do piedoso Sete. Que riquezas lograra Enoque? Ou Noé? Ou ainda Sem? Enquanto isso, iam os descendentes do indecoroso e irreverente Cão fundando grandes impérios: Líbia, Egito, Etiópia e os domínios de Canaã (Gn 10.1-20).

2. As provações dos justos. A História Sagrada, no registro dos fatos que ocorreram após a era de Bildade, fala de alguns homens que, apesar de sua comprovada e singular piedade, foram submetidos às piores agruras. Se Abraão, Isaque e Jacó foram abençoados com grandes riquezas, José foi vendido como escravo, e como escravo viu-se constrangido às mais inumanas humilhações (Gn 37.26-36). Elias, Amós e Lázaro vivenciaram necessidades básicas. O primeiro viu-se na contingência de nutrir-se do que lhe traziam os corvos (1Rs 17.5-7). O segundo, como boieiro, alimentava-se de sicômoros (Am 7.14). E o terceiro, além da extrema pobreza, fora coberto por uma terrível chaga; e, assim, abandonado por todos, comia das migalhas que caíam da mesa do rico (Lc 16.20-25).

3. A evidência de uma vida piedosa. Não quero, com isso, ressaltar a pobreza como evidência de uma vida plena de Deus, como não o é também a riqueza. Pois, se nas Sagradas Escrituras há ricos piedosos, há também pobres incrédulos e nada tementes a Deus.

Temos de agir com equilíbrio e discernimento, pois os extremismos teológicos, quer à esquerda, quer à direita da Bíblia, são nocivos. Logo: que ninguém seja julgado pelo que tem, mas pelo que é (Mt 5.16; 1Tm 5.25; Tg 1.26,27). Quer Deus nos conceda riquezas, quer nos deixe experimentar necessidades, tenhamos sempre em mente que Ele é soberano e, como tal, sabe tratar com seus filhos (Jr 18.1-6). Habacuque e Paulo sabiam viver na abundância, e não se perturbavam na privação (Hc 3.17-19; Fp 4.10-13).

IV. A JUSTA PORÇÃO DE AGUR
A Teologia da Prosperidade é diabolicamente perversa e mentirosa, porque induz os filhos de Deus a buscar a riqueza, por concluírem ser esta tão importante quanto a salvação. Alerta Paulo, contudo, que, os que porfiam por serem ricos, cairão em muitas ciladas (1Tm 6.9). O mesmo apóstolo ainda alerta ser o amor ao dinheiro a raiz de todos os males (1Tm 6.10).

1. A teologia da miséria. Não queremos urdir uma teologia da miséria, como se esta fosse suficiente para conduzir-nos aos céus. Se o fizermos, cairemos nas mesmas heresias daqueles monges que, com os seus votos de pobreza, supunham ter já conseguido a riqueza celeste. Assim como há ricos piedosos, e Jó, entre todos os ricos, pontificava por sua singular integridade, há também pobres ímpios e inimigos de Deus — e não são poucos!

2. A porção de Agur. Como buscar este equilíbrio? Encontrá-lo-emos na petição que, certa vez, um homem chamado Agur endereçou a Deus: “Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra: afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada; para que, porventura, de farto te não negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecendo, venha a furtar e lance mão do nome de Deus” (Pv 30.7-9).

Noutras palavras, rogava Agur ao Senhor o pão nosso de cada dia (Mt 6.11).

Atentemos também a esta recomendação do Senhor Jesus em Mateus 6.25.

E vejamos o que ainda diz Paulo em 1 Timóteo 6.7,9.

CONCLUSÃO
Então, a que conclusão chegamos? É prejudicial ao crente possuir riquezas? Todavia, se a não usarmos para minorar o sofrimento de nossos irmãos, impiamente agimos. Por isso deve o irmão rico gloriar-se em seu abatimento (Tg 1.9).

Por conseguinte, quer pobres, quer ricos, gloriemo-nos sempre em Deus, pois Ele fez tanto um quanto outro. Além disso, não disse o Senhor que sempre haverá pobres na terra? (Dt 15.11). Eis porque deve o rico ajudar o pobre, a fim de que todos tenham o necessário para viver.

Que nenhum Bildade venha, pois, julgar os que, à semelhança de Jó, passam por dificuldades. A riqueza e a pobreza não podem servir de referenciais para se julgar a ninguém.

Subsídio Teológico

“Um famoso profeta da prosperidade uma vez pregou essa mensagem, até que foi vítima dum imprevisto: perdeu tudo. O brilho, o glamour e o ouro, tudo se desvaneceu. Esvaíram-se, igualmente, as multidões que o ovacionavam. Quase da noite para o dia suas riquezas foram substituídas por trapos. Desnudado de seu status como astro, viu-se sozinho com as Escrituras, as quais devorou com santo apetite:

‘Passei meses lendo a palavra dita por Jesus. Eu as escrevi por muitas e muitas vezes. Se você aceitar o conselho inteiro da Palavra de Deus não há como interpretar as riquezas ou as coisas materiais como um sinal da bênção de Deus… já pedi a Deus que me perdoasse… por haver pregado a prosperidade terrena’.

Contrito, ele confessou que ‘muitos hoje acreditam que a evidência da bênção de Deus sobre eles seja um carro novo, uma casa, um bom emprego e riquezas’. Isso, ressaltou, está longe de ser verdade. Jesus não ensinou que as riquezas são um sinal da bênção de Deus… Jesus disse: ‘Estreito é o caminho que conduz à vida e são poucos os que entram por ele’”. (Cristianismo em Crise. CPAD, pp.232,233).

 

 https://www.estudantesdabiblia.com.br/licoes_cpad/2003/2003-01-09.htm

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