23 julho 2021

As calamidades de Jó- L3

TEXTO ÁUREO
“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos” (2Co 3.8-10).

VERDADE PRÁTICA
Quando as provações chegarem, não se desespere. Deus está no controle de tudo… até do mais estranho e intenso sofrimento.

LEITURA DIÁRIA
Segunda — 1Rs 17.10-12 A aflição da viúva
Terça — 2Rs 4.8-37 A aflição de uma mãe
Quarta — 2Rs 4.42-44 A aflição de um servente
Quinta — 2Rs 20.1-11 A aflição de um rei
Sexta — 2Rs 1.6 A aflição de um ajudante
Sábado — 2Rs 5.1-13 A aflição de um ajudante militar

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Jó 1.13-22.
13 — E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito,
14 — que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles;
15 — e eis que deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e eu somente escapei, para te trazer a nova.
16 — Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei, para te trazer a nova.
17 — Estando ainda este falando, veio outro e disse: Ordenando os caldeus três bandos, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e só eu escapei, para te trazer a nova.
18 — Estando ainda este falando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito,
19 — eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova.
20 — Então, Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou,
21 — e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tomarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR.
22 — Em tudo nisto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.

PONTO DE CONTATO
Aqui está o quadro mais triste e exemplar da história de Jó. A despeito de perder tudo quanto tinha, ele não perdera seu bem mais precioso, a fé. A dor podia modificar-lhe o aspecto (v.20), mas não podia arrancar-lhe a consolação da fé. Por isso, diante de tamanha calamidade expressou-se o paciente patriarca: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá” (v.21). Como você agiria se passasse por situação semelhante? Teria fé suficiente para reconhecer a soberania divina? Permaneceria íntegro? Louvaria a Deus na adversidade?

OBJETIVOS
Após esta aula, seu aluno deverá estar apto a:
Descrever, segundo a lição, os tipos de calamidades que se abateram sobre Jó.
Definir em que consistiu a calamidade psicológica de Jó.

SÍNTESE TEXTUAL
Jó foi abatido sucessivamente por diversas perdas até ser atingido em seu próprio corpo. Sua doença lhe provocou angústias terríveis, mas, ainda assim, ele não murmurou contra Deus como desafiara o inimigo. Na hora mais escura de sua vida podia ainda bendizer a Deus. O crente fiel não perde a esperança, mesmo diante da desventura, porque nada escapa aos olhos do Senhor. E, ainda que sejamos afligidos por um pouco de tempo, o Todo-Poderoso no momento certo dará o escape.

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA
Converse com seus alunos sobre as diversas calamidades produzidas pela natureza. Questione se essas forças naturais podem ou não ser manipuladas pelo maligno. Os acontecimentos no livro de Jó podem ser considerados indícios dessa manipulação? Satanás pode investir contra os homens valendo-se das forças da natureza? Até que ponto Deus pode conceder-lhe permissão? Discuta o assunto com a classe e permita que cada aluno dê a sua opinião.

INTRODUÇÃO
Nesta lição, acompanharemos as calamidades que se abateram sobre Jó. Foi ele experimentado em todas as áreas de sua vida; nenhuma provação lhe faltou. Ao Senhor agradou acrisolá-lo, a fim de que viesse a sair, de todo aquele sofrimento, um homem incomparavelmente melhor. Acredito que a sua dor, excetuando a de Cristo, foi a maior que uma pessoa já se viu obrigada a suportar (Jó 2.13).

Caso esteja você sendo submetido a alguma prova, não se deixe levar pela angústia. Deus sabe como trabalhar a espiritualidade de seus filhos.

I. CALAMIDADES SOCIAIS
A primeira calamidade que se abateu sobre Jó foi a conturbação social. Naqueles dias, muitas eram as quadrilhas especializadas em roubar gados. Entre esses bandos, os sabeus eram os mais ousados. Atentemos ao relatório que o mensageiro entregou a Jó: “Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles; e eis que deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e eu somente escapei, para te trazer a nova” (Jó 1.14,15).

1. Quem eram os sabeus. Eram eles descendentes de Sebá, neto de Cam e bisneto de Noé (Gn 10.7). Supõe-se estivesse o seu território no Norte da Etiópia. De quando em quando, cruzavam as fronteiras para roubar e pilhar os reinos de Canaã. E, assim, foram eles acumulando uma proverbial riqueza (Is 45.14). Eram conhecidos também por sua elevada estatura.

2. Os sabeus atacam Jó. Deduz-se do texto bíblico que os sabeus já eram bem conhecidos em Canaã em virtude da violência de suas rapinagens. Até aquele momento, porém, não haviam feito qualquer incursão às propriedades de Jó, por se acharem estas sob a proteção do Senhor; era como se Ele as tivesse cercado de sebes (Jó 1.10).

Um dia, contudo, sentiram-se livres para invadir as terras do patriarca. E, daqui, levam-lhe os bois e as jumentas. Não bastasse, ainda passam ao fio da espada os que cuidavam dos rebanhos (Jó 1.5).

3. Como reagiríamos nós? Pode ser que você, querido irmão, seja uma vítima da violência. Quer urbana, quer rural, deixa-nos esta profundos traumas. Alguns têm suas terras tomadas por demagogos (1Rs 21.15). Outros são alvos de assaltos e sequestros (Lc 10.30). E ainda outros têm seus entes queridos covarde e impiedosamente assassinados (At 12.1,2). É exatamente neste momento que não podemos evitar a pergunta: “Por que Deus o permite?”. A única coisa que sabemos é que todos os atos de Deus são atos de profundo e inexplicável amor.

II. CALAMIDADES SOBRENATURAIS
Não há como descrever a segunda tragédia que se abateu sobre Jó. Do ponto de vista do mensageiro que lhe trouxe a notícia, parecia algo vindo diretamente do Todo-Poderoso: “Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei, para te trazer a nova” (Jó 1.16).

1. O fenômeno. Tratava-se de um raio? Ou de uma combustão que, embora descida do céu, não provinha de Deus? (Ap 13.13). De qualquer forma, não era aquele um fenômeno natural; assemelhava-se ao fogo que calcinou as impenitentes Sodoma e Gomorra (Gn 19.24).

2. O prejuízo. O fogo acabou por destruir os rebanhos que haviam restado ao patriarca. Sua ruína era completa. Além dos animais, perdera também toda a gente que estava a seu serviço com exceção daquele que lhe trouxe a notícia.

Você já foi vítima de algo semelhante? De repente, alguma coisa inexplicável destrói-lhe todos os bens, deixando-o endividado e sem perspectivas. Como agir nessas circunstâncias? Não se desespere! O nosso Deus está no comando de tudo.

III. CALAMIDADES METEOROLÓGICAS
Os filhos de Jó, distraídos com o banquete na casa do primogênito, ainda não se haviam apercebido das calamidades que se abatiam sobre a família. A desgraça, porém, não demoraria em lhes sair ao encalço.

1. O tufão que matou os filhos de Jó. Registra o autor sagrado: “Eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova” (Jó 1.19).

O fenômeno em muito se parecia com aqueles furacões que, no Oriente Médio, se originam no deserto e, rapidamente, alcançam as áreas habitadas, deixando em sua passagem, um rastro de destruição e morte. Tão veemente era aquele vento que, de acordo com a narrativa bíblica, atingiu em cheio a casa onde se encontravam os filhos do patriarca, derrubando-a sobre eles. Sobreviveu apenas o mensageiro que relatou a tragédia ao patriarca.

2. Deus e a meteorologia. Não controla o Todo-Poderoso os fenômenos meteorológicos? Então, por que haverá Ele de permitir que tais forças se levantem contra os seus servos?

O fato de sermos crentes não significa estejamos livres dos raios ultravioletas do Sol nem dos respingos da chuva (Mt 5.45), nem que venhamos a escapar, necessariamente, das calamidades naturais. Em consequência da seca, agricultores piedosos eventualmente perdem promissoras colheitas; pecuaristas tementes a Deus veem, de vez em quando, seu gado quedar sem vida por causa da estiagem. E aqueles homens e mulheres que, apesar de sua intensa vida de oração, não logram salvar os filhinhos de uma inundação súbita?

IV. CALAMIDADE FÍSICA E PSICOLÓGICA
Não obstante todas essas calamidades, Jó ainda retém a sua integridade (Jó 2.10). O Diabo, todavia, alega ao Senhor que, enquanto Jó estiver saudável, manter-se-á firme em sua fé; mas, enfermo: virá certamente a negá-la. Veja quão sentencioso e ousado é o maligno: “Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida. Estende, porém, a tua mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e verás se não blasfema de ti na tua face!” (Jó 2.4,5).

Demonstrando quão fiel era o seu servo, o Senhor permite ao adversário enfermar a carne de Jó, desde que não lhe tire a vida: “Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza” (Jó 2.6,7).

1. A doença de Jó. Que doença era aquela? Alguém sugere a elefantíase - uma hipertrofia da pele e do tecido subcutâneo, obstruindo a circulação linfática devido a forte infecção. A enfermidade, que evolui de forma crônica, atinge principalmente as pernas e a genitália externa.

O texto bíblico descreve-a como uma chaga maligna; uma doença de tal maneira terrível, cuja etiologia ainda não pôde ser determinada com precisão. Seria a lepra em seu mais adiantado estágio? O fato de o patriarca se coçar com um caco de telha sugere que todo o seu corpo ficou não somente inchado, mas coberto de uma crosta supurante. Eis porque seus amigos tiveram dificuldades em reconhecê-lo (Jó 2.12). Além disso, o hálito tornara-se-lhe insuportável, evidenciando uma rápida e implacável metástase (Jó 19.17). Era algo pior que o câncer.

Tão aflitiva era a condição física de Jó que a esposa chegou a sugerir-lhe a eutanásia (Jó 2.9).

CONCLUSÃO
De que maneira reagiria você em meio a todas essas provações? Jó sabia perfeitamente que, apesar da angústia daquela hora, havia um Deus no céu que a tudo contemplava. Assim, pôde ele manter-se íntegro; não negou a fé, nem optou pelo caminho que, para alguns, parece o mais fácil: o suicídio.

A prova a que nos submete Deus, por mais dolorosa e desconfortável, redunda sempre num crescimento espiritual que acaba por descortinar-nos todas as belezas do amor divino. Glória a Deus!

Subsídio Teológico
“O tempo não é um inimigo, mas um amigo. Lutar contra o tempo é uma sandice. Se o sofrimento entrou no mundo por causa do pecado, Deus não é o causador do sofrimento; e se Ele o permite mesmo quando não consigo evitá-lo, o mais coerente seria ver as intempéries como aliadas na formação e aprimoramento de traços e silhuetas positivas na alma. Esse é o ensino bíblico.

O tempo serve para nos preparar. Quando compreendo e admito isso, consigo ver o tempo como algo que não é ruim, que serve para amadurecer-me e não pode tirar minha felicidade, porque esta está firmada em Deus.

Nós sabemos, pela Palavra de Deus, que o sofrimento tem um fim. A demora também. Logo, o propósito de Deus na minha vida é usar o tempo para me ajustar ao ponto ideal. Ad augusta per angusta — ‘chega-se a resultados sublimes por caminhos estreitos’. Desde que apenas nesta dimensão encontro demora e sofrimento, e lá não, então o aqui e o hoje são dotados de instrumentos de Deus para forjar o meu ser.

Disse o salmista Davi, em Salmos 31.15: ‘Os meus tempos estão nas tuas mãos…’.

Quando entrego tudo à vontade de Deus, entrego não apenas a minha vida, mas o meu tempo também. E isto significa que a administração do meu tempo passou a ser orientada por Deus” (Reflexões Sobre a Alma e o Tempo. CPAD, p.155).

 https://www.estudantesdabiblia.com.br/licoes_cpad/2003/2003-01-03.htm

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