25 novembro 2024

Dois estarão no campo, um será tomado. Isso se refere ao arrebatamento?

 Postado por Presbítero André Sanchez

Você pergunta: Eu tenho muita curiosidade sobre o final dos tempos e estou estudando Mateus 24. Mas me deparei com esse texto de Mateus 24:40, que diz que dois estarão no campo, um será tomado. E não entendi bem. Ali se refere ao arrebatamento da igreja de Cristo e as pessoas que irão ficar depois do arrebatamento? Como devemos entender? 

 Caro leitor, a escatologia (matéria teológica que estuda as últimas coisas) é uma matéria fascinante, mas também difícil, pois requer de nós muita atenção nos contextos, nas expressões, na forma da escrita, para que cheguemos a conclusões corretas de interpretação.

Hoje vamos aplicar um pouco de tudo isso para esclarecer a sua dúvida.

 Dois estarão no campo, um será tomado. Isso se refere ao arrebatamento?

(1) O verso que iremos estudar em Mateus 24:40-41 diz: “Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra”. 

 A primeira coisa que temos de fazer aqui é observar esse “então” do início do verso, pois ele liga esse texto a algo que foi mencionado antes. A pergunta é: sobre qual evento Jesus está falando aqui?

Para uma resposta precisa precisamos analisar o contexto. Mateus 24:29 é o acontecimento que está sendo narrado e nos ajuda a entender melhor a questão: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados” (Mateus 24:29).

Ou seja, os versos que estamos estudando se situam nesse período de tempo, que não é o arrebatamento da igreja de Cristo. Portanto, esse acontecimento narrado por Cristo não se trata do arrebatamento citado nas escrituras. Mas o que seria então?

(2) Os versos imediatamente antes do texto que estamos analisando mostram uma comparação desses eventos com o dilúvio: “e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24:39). 

Observe que o dilúvio é usado aqui por conter a ilustração que se assemelha ao texto que estamos estudando. O dilúvio separou pessoas. Levou várias para a morte e condenação, enquanto deixou Noé e sua família para a salvação.

Isso nos dá uma boa pista do significado que Jesus quis ensinar aqui e do evento que Ele está tratando, que é o final dos tempos, a Sua volta.

Significado de dois estarão no campo

(3) Dois estarão no campo. Possivelmente esses dois homens poderiam ser ou sócios, ou amigos de trabalho, ou até familiares.

segunda vinda de Cristo não respeitará alianças terrenas. Ela efetuará juízo e separação mesmo diante daqueles que são próximos de alguma forma (parentes, amigos, sócios). 

 Imagine que Noé e sua família tinham outros parentes, amigos, conhecidos. Mas foram separados repentinamente pela chegada do dilúvio.

Assim será também na segunda vinda de Cristo. Esse é o foco da fala de Jesus quando relata que dois estarão no campo, um será tomado.

Significado de duas estarão trabalhando no moinho

(4) Duas estarão trabalhando no moinho. A comparação aqui é a mesma. Geralmente esse trabalho era realizado por mulheres.

Parentes, amigas, companheiras de trabalho, enfim, laços haveria entre elas no dia a dia de trabalho ou por conta do sangue.

Mas esses laços não seriam respeitados e considerados na segunda vinda de Cristo. Isso demonstra que a salvação é algo individual e que não podemos fazer pelo outro ou no lugar dele.

A decisão de crer em Cristo e receber a salvação é pessoal e a consequência dela também.

(5) Por fim, essa interpretação fica bastante clara e é finalizada pelo alerta que Jesus dá: “Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mateus 24:42).

Observe que aqui Cristo fala exatamente do acontecimento de que está falando, ou seja, Sua segunda vinda. A data da segunda vinda de Cristo é desconhecida, por isso, cada pessoa deve estar preparada para esse dia de encontro para prestar contas a Jesus.

Não poderemos nos apoiar em outras pessoas nesse dia, será um encontro de cada um de nós de forma pessoal com Deus.

Aqueles que menosprezam isso irão colher frutos amargos das suas más decisões e não poderão ser ajudados por ninguém, assim como ocorreu no dilúvio, quando muitos foram levados para a condenação e Noé e sua família forma deixados para a salvação.

24 novembro 2024

Por que Jesus amaldiçoou a figueira sem frutos? A árvore tinha culpa?

 Postado por Presbítero André Sanchez

Você Pergunta: Estava lendo a Bíblia e me deparei com aquela passagem onde Jesus amaldiçoou a figueira sem frutos e ela secou quase que imediatamente. Mas não entendi bem o que Jesus quis ensinar ali, já que o texto diz que não era tempo de figos. Se não era tempo de figos, por que Jesus amaldiçoou a figueira? Poderia a árvore tem alguma culpa de não ter frutos? 

 Caro leitor, tudo que Jesus fez e que ficou registrado sempre tem um porquê profundo que nos faz refletir. No caso da figueira amaldiçoada por Jesus não é diferente, temos lições profundas ali que desejo extrair para aprendermos mais da Palavra do Senhor:

 Por que Jesus amaldiçoou a figueira se não eram tempos de figos?

(1) A história onde Jesus amaldiçoou a figueira é narrada em dois dos evangelhos, sendo em Mateus 21:18-22 e em Marcos 11:12-14, 20-24. Vejamos o que o texto nos diz:

“e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente” (Mateus 21:19). 

 (2) Esse texto me traz uma ótima oportunidade de expor a necessidade que temos de estudar a Bíblia e não somente fazer leituras superficiais.

Aqui, nesse caso, temos a necessidade de compreender um pouco sobre as figueiras. Geralmente as figueiras dão seus frutos antes das folhas ou também os frutos aparecem quase que ao mesmo tempo que a folhagem.

Apesar dessa narrativa ter acontecido no mês de março (época da páscoa judaica) e a época de as figueiras darem frutos era somente em junho, figueiras que tinham folhas nessa época indicavam frutos fora de época, o que era uma bênção.

Isso significa que as folhas aparentes na figueira indicavam que ali haveriam frutos. Mas o texto mostra que Jesus fica frustrado em achar somente folhas nela e que Ele aproveita essa situação interessante para trazer lições preciosas.

(3) Sabemos que árvores não têm responsabilidade moral, pois não tem a capacidade de pensar e decidir. Logo, quando Jesus amaldiçoou a figueira e ela secou, não significa que a árvore pecou ou que estava sendo má por não ter frutos, antes, não temos outra interpretação possível senão um ensino de Jesus que chamamos de “alegoria”. 

Ou seja, Ele usando essa ocasião interessante como um símbolo de um ensino maior que queria passar às pessoas. Mas qual ensino seria esse?

Quando Jesus amaldiçoou a figueira qual ensino quis passar? 

 (4) Se você observar com cuidado, esse acontecimento é situado exatamente após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém próximo da festa da páscoa (Mateus 21:1-11), seguida da expulsão vigorosa que Jesus fez dos mercadores do templo (Mateus 21:12-13) e ainda de algumas parábolas muito fortes sobre a falta de fé de alguns em fazer a vontade do Pai (Por exemplo, a parábola dos dois filhos em Mateus 21:18-32).

Isso parece indicar que Jesus está pelo menos provocando os seguintes pensamentos nas pessoas ali em Jerusalém, que era o local central de culto em Israel:

a) Essa figueira representa o povo de Israel

Em outras ocasiões Israel já tinha sido comparada a uma figueira (Oseias 9:10 e Joel 1:7). Jesus parece aqui reviver essa comparação, mas agora como uma forma de repreensão aos israelitas.

b) Essa figueira parecia ter frutos:

Em muitos momentos Jesus combateu a hipocrisia de fariseus e do povo que gostava muito de uma vida de aparências que não refletia o que de fato tinha em seus corações.

Jesus criticou muitas vezes esse mal comportamento. A figueira tinha folhas e isso indicava que deveria ter frutos ali, mas não tinha. Da mesma forma muitos pareciam ser servos de Deus, mas não eram.

c) A aparência de ter frutos e a falta deles foi a causa de a figueira secar

Uma vida de aparências, sem frutos verdadeiros e proveitosos destruirá a vida daquele que escolhe esse tipo de vida. A nação de Israel sofreria muito pela aparência de santidade que buscava esconder corações hipócritas. Isso faria muitos deles “secar”.

d) Falta de frutos ainda desagrada a Deus

Fomos chamados a frutificar. Por isso, essa lição de Jesus ainda é bastante atual, pois o coração humano continua produzindo aparências para esconder uma vida infrutífera e distante da vontade de Deus.

Sempre que Deus olha para nós Ele deseja encontrar bons frutos! Você tem esses bons frutos?

23 novembro 2024

O que significa “os mortos não sabem coisa nenhuma” em Eclesiastes?

  Postado por Presbítero André Sanchez

Você Pergunta: Salomão diz em Eclesiastes que os mortos não sabem coisa nenhuma. Ou seja, esse texto parece indicar que quando alguém morre ela fica em um estado de sono, sem saber de nada. Alguns, inclusive, usam esse texto para dizer que os mortos ficam dormindo depois que morrem. Essa seria a interpretação correta desse texto? Pode me ajudar a entendê-lo melhor? 

 Caro leitor, essa citação que você fez sobre mortos dormindo com base no texto de Eclesiastes 9:5 é mais um daqueles erros de interpretação com uso de um verso isolado, sem a observação correta do contexto. Vejamos o que o texto e contexto estão realmente ensinando. 

Os mortos não sabem coisa nenhuma

(1) Em Eclesiastes 9:1-12 Salomão está fazendo uma reflexão sobre o destino de todos, a maior certeza que toda pessoa tem, que é a morte.

Em Eclesiastes 9:1 ele começa falando do mistério do pós-morte: tudo está nas mãos de Deus e os detalhes do que espera o homem depois de sua morte ninguém sabe. 

 Em Eclesiastes 9:2-3 ele reflete que tanto maus quanto bons terão um destino em comum, que é morrer um dia.

Em Eclesiastes 9:4 ele explica que, do ponto de vista humano, a vida é o bem mais precioso, pois é nela que podemos fazer o bem e aproveitar as coisas boas que Deus criou!

(2) Na sequência temos o nosso texto da análise: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento” (Eclesiastes 9:5).

O ponto onde muitos erram é achar que Salomão está falando aqui da vida pós-morte, ou seja, da vida da pessoa que morreu após ela morrer, como se a pessoa ficasse em um tipo de sono da alma. 

Mas não é sobre isso que ele trata aqui. Salomão está refletindo do ponto de vista de quem está aqui na terra, vivo, e vendo alguém morrer.

Desse ponto de vista fica claro que o corpo de um morto, sem vida, não sabe mais nada! Cessaram todas as suas funções de pensar, de sentir, de fazer qualquer coisa, pois é agora somente um corpo morto que sofrerá a decomposição (voltará à terra – Eclesiastes 12:7)!

(3) Isso fica evidente no próximo verso, que diz: “Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (Eclesiastes 9:6). 

 Observe que esse morto “não sabe coisa nenhuma” do que está acontecendo agora na terra (debaixo do sol), pois ele não tem mais participação nas coisas terrenas. Ele é agora apenas um corpo sem vida. É importante observar que Salomão não está também dizendo que “morreu acabou tudo”.

Ele está tratando apenas do ponto de vista terreno, do que ocorre com a frágil vida de todo ser humano e que pode ser observado por qualquer um. Ele não está tratando aqui do que acontece com o espírito da pessoa.

(4) Toda essa reflexão faz com que Salomão passe a falar sobre aproveitar bem o tempo de vida sobre a terra: “Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras” (Eclesiastes 9:7).

Existem coisas preciosas da vida na terra que só podemos aproveitar enquanto houver vida e isso deve ser feito com boa consciência, pois o tempo de vida é limitado.

Na sequência ele ainda dá conselhos para a busca da felicidade (Eclesiastes 9:8), da alegria do relacionamento conjugal (Eclesiastes 9:9), do empenho de fazer trabalhos bem feitos (Eclesiastes 9:10), etc.

(5) Concluímos que Salomão trabalha com um grande realismo na análise da vida e da morte. A morte física alcançará todos nós. Quando ela ocorre, tudo que é terreno deixa de fazer parte da vida do morto, e o morto deixa de fazer parte das ações realizadas “debaixo do sol”, esse é o sentido de “os mortos não sabem coisa nenhuma”.

Para fechar, quero citar um texto onde Salomão traz um pequeno rascunho sobre a vida pós-morte, ou seja, o que ocorre com o espírito da pessoa que morre: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Eclesiastes 12:7).

Tudo começa em Deus e termina Nele, que é quem julga retamente todos que morrem!