31 agosto 2016

O Único Jeito



"Vemos, todavia, aquele que por um pouco foi feito menor do que os anjos, Jesus, coroado de honra e glória por ter sofrido a morte, para que, pela graça de Deus, em favor de todos, experimentasse a morte." (Hebreus 2:9)

As pessoas gostam de afirmar que todas as religiões são verdadeiras e que Jesus é um dos muitos caminhos que levam a Deus. Algumas até têm um adesivo de carro que diz "Coexista" e que inclui vários símbolos religiosos. Esse sentimento é bacana. E é bacana dizer que todas as religiões ensinam a mesma coisa, mas quem quer que faça essa afirmação ou está mentindo, ou é um bobo, ou simplesmente decidiu não dar nenhuma olhadinha sequer nas religiões do mundo. As religiões do mundo não ensinam todas a mesma coisa.

Na verdade, insinuar isso já é ofender a Deus. Você acha que Deus teria permitido que Seu Filho passasse por algo tão horrível como a crucificação se todos os caminhos levassem a Ele? De outro modo, por que Jesus teria de morrer? Deus podia ter dito: "Tudo certo. Podem fazer como queiram. Acreditem no que quiserem. Tudo beleza."

Mas não havia outro caminho pelo qual satisfazer as justas exigências de Deus. É por isso que Jesus orou: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres" (Mateus 26:39). O que é "este cálice"? Eu creio que seja o cálice da ira de Deus. Isaías o chamou de cálice da ira d'Ele (ver Isaías 51:17,22).

Jesus experimentou a morte por todos. Hebreus 2:9 diz: "Vemos, todavia, aquele que por um pouco foi feito menor do que os anjos, Jesus, coroado de honra e glória por ter sofrido a morte, para que, pela graça de Deus, em favor de todos, experimentasse a morte".

Jesus tinha de ser o recebedor da ira de Deus em nosso lugar para que pudéssemos ser perdoados do nosso pecado. Não havia outro jeito.

O que é o batismo com fogo?




Email respondendo a pergunta da dona Francisca Peixoto das Neves Bueno, a irmã Chiquita.

(Este nome é fictício, porém, o fato descrito na pergunta é bem real e comum no meio evangélico pentecostal e neopentecostal, claro, com algumas exceções).

Professor Leonardo, você poderia me explicar que tipo de batismo é o batismo de fogo mencionado em Mateus 3.11? Este batismo com fogo é um revestimento de poder do Espírito Santo conforme o meu pastor diz em suas pregações?

Irmã Chiquita, é muito comum vermos no meio evangélico, especialmente no meio pentecostal e neopentecostal, não somente pregações, mas também as famosas campanhas e vigílias baseadas nessa passagem de Mateus 3.11.

Geralmente, tais pregações, campanhas e vigílias têm como base ou tema frases do tipo: "A necessidade do batismo com fogo"; "A campanha dos 7 elos do fogo purificador de pecado" ou "A vigília do fogo que batiza e renova com poder".

O evento desta passagem de Mateus 3.11, também descrito nos evangelhos de Marcus 1.8 e Lucas 3.18, na maioria dos casos, é entendido como se o batismo com fogo no qual João diz que Jesus batizaria juntamente com o batismo com o Espírito Santo é um batismo de "purificação e revestimento de poder do Espírito Santo". Não obstante, este batismo com fogo capacita o crente com "unção e poder" para ter uma vida espiritual mais profunda com Deus, a pregar o evangelho, orar fervorosamente, realizar exorcismos e triunfar sobre os demônios, curar os enfermos dentre outras coisas.    

No entanto, se fizermos uma exegese cuidadosa e detalhada de toda a passagem em pauta, analisando meticulosamente todo o seu contexto, as palavras chave e o original grego, veremos que esta interpretação popular acerca do batismo com fogo como uma espécie de "poder e unção especial" é diametralmente equivocada! Vamos, então, a análise da passagem: 

Mateus 3.11 – "Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo." (NVI)

Para que possamos interpretar corretamente o texto a lume e chegarmos ao seu real e único significado, isto é, entender o que de fato ele diz, é necessário examinarmos o contexto anterior de Mateus 3.11 que começa a partir do versículo 1. Observe Mateus 3.1-12:

"Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo. Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele. As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Deem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: 'Abraão é nosso pai'. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga." (NVI)

O contexto da passagem de Mateus 3.11 ressalta a dura pregação de João Batista chamando o povo ao arrependimento, pois o reino de Deus estava próximo (vs.2), e, em contraste, ele mostra o resultado daqueles que não se arrependerem sofrerão, ou seja, a ira futura (vs.7). Portanto, o tema vigente que predomina nesse trecho é o chamado ao arrependimento! A ênfase de João em sua premissa recaí inteiramente sobre o destino daqueles que não se arrependerem dos seus pecados (vs.10-12).

A palavra chave nesse trecho de Mateus é batizo (βαπτίζω), que no grego denota mergulho; 1 significa o sepultamento da velha vida em contraste com o nascimento de uma nova vida. 2 Sendo assim, três tipos de batismo estão destaque aqui:   

1. O batismo com água. Este batismo demonstrava uma atitude de arrependimento dos pecados. Este batismo de João simbolizava uma espécie de limpeza espiritual e tinha suas raízes no nos rituais de purificação do AT (veja Lv 15.13). 

2. O batismo com ou no Espírito Santo. Todos os crentes verdadeiros são batizados com o Espírito Santo no momento da conversão. Esse batismo é o mesmo que o novo nascimento (veja 1Cor 12.13).

3. O batismo com fogo. Este batismo, mediante o contexto analisado, significa o batismo como um meio de punição ou condenação eterna para os que não se arrependerem de seus pecados (vs.10-12).

Desse modo, concluímos, então, que, o "batismo com fogo", diferente do batismo com o Espírito Santo, que é o nascer de novo, significa o batismo para a condenação. No dia do julgamento final dos homens, que se dará na segunda vinda de Cristo, a justiça de Deus se manifestará em ira e sobrevirá sobre os ímpios obstinados onde eles serão batizados e castigados pela morte e pelo tormento eterno no lago de fogo e enxofre. Espero que através desta carta, irmã Chiquita, a Senhora seja esclarecida. Um abraço! A paz de Cristo Jesus!

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Notas:
[1] Dicionário do Novo Testamento grego James Strong, pág 2108.
[2] Fritz Rienecker e Cleon Rogers. Chave Linguística do Novo Testamento Grego, pág 5.  


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Fonte: Bereianos

30 agosto 2016

O QUE É O HOMEM?



Alguns o chamaram de metamorfose ambulante por crer em sua permanente mutação. Outros o chamaram de animal pensante ou homo sapiens. A antropologia fora criada no interesse de entender suas relações com os demais integrantes de seu convívio; a psicologia tem labutado na intenção de ajudá-lo a viver bem consigo mesmo e com as questões que o cercam.

Entretanto nem a psicologia nem a antropologia têm conseguido explicar com perfeição quem é o homem e porque ele age do modo como vemos. O modo como o homem tem agido ao longo dos séculos tende a nos dá condições de entender que ele está em permanente retrocesso.

Charles Darwin criou a teoria da evolução na qual indiretamente deduz que o homem tem suas origens no macaco, mas observando o homem, suas relações, seus níveis de interesse e sua desumanidade crescente, temos mais razões para crer que o homem está se transformando num animal do que para aceitarmos que o animal se tornou homem.

Independentemente de cultura, religião, cor, raça ou nacionalidade o homem é o mesmo. Seus hábitos podem diferenciar, mas seu instinto desumano é invariavelmente o mesmo. Há exceções raríssimas sobre isso, mas a regra regente é essa: o homem é um ser corrupto!

O homem é naturalmente mau. Os seres humanos amam dominar, mas todo dominador é um dominado. O mesmo homem que força mulheres a lhes satisfazerem sexualmente e as domina abusivamente, são dominados pelo prazer desenfreado e destrutivo. Aqueles que sobem na dor dos outros para estabelecer-se como alguém que possui poder, é ao mesmo tempo dominado por um sentimento de avareza que lhes rege e governa; arranca-lhe o sono, tira-lhe o sossego e penetra-lhe as relações e ao mesmo tempo em que o leva a ganhar bens e adquirir poder, lhe assalta a alegria de viver em família e lhe remove a capacidade de ter amizades sinceras.

A humanidade corre a largos passos rumo ao abismo da autodestruição moral e espiritual. O câncer moral que acometeu as sociedades está em estágio avançado. A religião está enferma pelo imperialismo eclesiástico; o descrédito varre continuamente as mentes dos fiéis em todas as religiões.

Há possibilidade de cura para essa tão avançada epidemia que tem contaminado o mundo de modo tão generalizado? O descrédito experimentado pelos religiosos dará cabo à religião?

Um diálogo bíblico entre um admirável religioso e Jesus vai detectar que a resolução dos problemas sociais e espirituais da humanidade não se centra em atividades criadas pelo homem. Ao longo de todos os séculos passados o homem tem avançado em conhecimento tecnológico. Tal conhecimento tem possibilitado avançadas invenções que facilitam algumas atividades corriqueiras e dão conforto, mas sem exceção, toda criação humana tem alguma (ainda que remota) capacidade de desencadear nocividade.

Sem a menor sombra de dúvida, a solução para a criação decaída está somente no seu Criador. Apesar de não parecer e de ser mui difícil aceitar, ainda existe uma possibilidade para restaurar a mente humana: o novo nascimento. "O homem crente em Deus torna-se, pela fé, movido para tudo o que é correto, bom e verdadeiro. Sua fé em Deus retifica sua mente e o faz justo. No julgar, no desejar, no aspirar, em seu coração, ele é justo.

Seus pecados foram perdoados, na hora da tentação, ele clama: ―como, agora, eu fraquejei e cometi este pecado contra Deus? Ele acredita no derramamento de sangue que Deus proveu para limpar o pecado e, para ser lavado em seu interior, ele não pode escolher se sujar novamente. O amor de Cristo o constrange a seguir o que é verdadeiro, correto, bom, amável e honroso aos olhos de Deus." (Spurgeon).

Só pode haver vida transformada se antes houver uma renovação de mente, sem o Novo Nascimento é possível a mente ser renovada, só que tal renovação será o mesmo que uma lavagem cerebral e o indivíduo que sofrer tal experiência será um fanático, um religioso, um "igrejado", mas jamais um cristão.

Cristão não é resultado de uma mudança de religião, portanto o indivíduo não se torna um cristão, ele nasce cristão. Esse nascimento não é biológico, intra-uterino, mas espiritual. O assunto do diálogo entre Jesus e Nicodemos, foi o Novo Nascimento. Esse Novo Nascimento é o meio sine qua non pelo qual o homem pode ser cristão, doutra forma não há cristianismo.

POR QUE O NOVO NASCIMENTO É A SOLUÇÃO FINAL E GARANTIDA PARA RESTAURAR A IGREJA LOCAL E PREPARAR UM POVO SANTO PARA O CÉU?
A resposta é bem simples, porque é uma solução vinda de Deus para o homem, já que está comprovado que nenhuma das soluções humanas tem esse poder. O homem jamais terá ações limpas enquanto seu coração for imundo.

Êxodo 32.10, Deus vendo a dureza do coração dos israelitas, sugere a Moisés exterminar o povo hebreu e de Moisés, um homem justo, reerguer a nação judaica. Claro que o texto apreciado não é uma figura de linguagem. Deus realmente quis matar o povo hebreu. Mas o que me chama a atenção é que o próprio Deus sugere que para que uma nação obediente fosse erguida, necessário seria que um novo povo nascesse.

Um povo não vira santo, um povo nasce santo. Com obviedade os israelitas morreram no deserto e uma nova geração se levantou antes que chegasse a Canaã. O nascimento biológico foi o meio para purificar o povo.

De modo semelhante o Novo Nascimento é o único meio para purificação do homem afim de que se torne cristão. Obviamente o nascimento biológico de um homem dentro de uma família cristã não o torna cristão, mas o nascimento espiritual que Jesus ensinou a Nicodemos pode fazê-lo erguer-se das cinzas do pecado e viver para uma viva esperança. Que assim seja com você.

J. Rosivaldo Silva Santos

Por Litrazini

Graça e Paz