28 junho 2024

O que a Bíblia ensina sobre corpo, alma e espírito?

 Postado por Presbítero André Sanchez

Você Pergunta: Tenho uma grande dúvida a respeito dessa questão de sermos corpo, alma e espírito. Não consigo identificar bem cada parte, principalmente a diferença entre alma e espírito. E mais: Por exemplo, quando morremos, morre o corpo, o espírito volta a Deus, mas e a alma? Onde ela fica? Isso tudo me deixa bem confuso. O que a Bíblia ensina sobre essa questão de corpo, alma e espírito? 

Caro leitor, essa é uma questão que confunde muitas pessoas, mas que, na realidade, não é tão complicada de compreender quando analisamos o que a Bíblia ensina sobre isso.

Somos corpo, alma e espírito?

(1) Algumas pessoas afirmam que nós somos compostos por três partes distintas, que são corpo, alma e espírito. Geralmente, usam algumas citações bíblicas que existem e que mencionam corpo, alma e espírito, e também alguns textos bem interessantes como, por exemplo, Hebreus 4:12: 

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”.

Baseados em textos como esse, afirmam que somos compostos por três partes distintas, que são interligadas de certa forma.

(2) No entanto, uma análise mais profunda da Bíblia nos mostra que esse pensamento não se sustenta. Quando a Bíblia usa em muitas de suas passagens “alma” e “espírito”, as usa como sinônimos, ou seja, se referem a parte imaterial do ser humano. Vejamos dois exemplos:

“Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mateus 10:28).

Observe que nesse texto “alma” é usada para designar a parte imaterial do ser humano. Além disso, Jesus usa o termo corpo e alma para designar o ser humano em sua completude, em suas duas partes de que é composto. Jesus não usa corpo, alma e espírito.

Vejamos um outro texto: “Ambas se tornaram amargura de espírito para Isaque e para Rebeca” (Gênesis 26:35). Aqui temos a palavra espírito sendo usada também para designar a parte imaterial do ser humano. 

No caso, as esposas que Esaú tomou para si feriram o coração, a alma, os sentimentos de Isaque e Rebeca, ou seja, a parte que é imaterial! 

(3) Mas como explicar o texto de Hebreus 4:12 citado no ponto 1 deste estudo? Simples. Ali nós temos a citação de Paulo “dividir alma e espírito” mostrando que a palavra de Deus penetra no mais profundo do ser da pessoa e não que a Palavra de Deus retalha a pessoa em diversos pedaços e que esses pedaços constituem o que ela é, a sua divisão natural.

Se a pessoa fosse “corpo, alma e espírito” (3 partes), Hebreus 4:12 ficaria sem sentido, pois, estaria falando em dividir algo que já seria dividido!

Um texto parecido com esse está em Deuteronômio 6:5: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força”.

Será que ao invés do ser humano ser somente corpo e alma, na realidade, ele é corpo, alma, coração e força? Evidentemente, o texto não está particionando o ser humano, mas mostrando que devemos amar a Deus com tudo que somos.

Se fossemos considerar cada sinônimo dado para o nosso ser interior, nossa parte imaterial, certamente seríamos subdivididos em dezenas de partes, tais como (âmago, coração, mente, alma, ser, entendimento, sentimento, espírito, interior, etc.). Todas essas “partes” são citadas na Bíblia. 

(4) Mas talvez o texto mais citado por aqueles que afirmam que somos corpo, alma e espírito seja 1 Tessalonicenses 5:23 “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Mas uma vez não temos um texto de Paulo que tenha como objetivo tratar das partes que compõe o ser humano. O que temos aqui é Paulo considerando a pessoa humana de pontos de vistas diversos (em sua totalidade) e não como partes diversas que a compõe.

O mesmo acontece, por exemplo, em Marcos 12:30: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”.

Aqui são citadas quatro diferentes nuances da nossa parte imaterial e material, o que não significa que somos compostos por essas quatro partes como que separadas.

(4) Dessa forma, fica bastante claro que somos um corpo, que é o que representa a nossa materialidade. E somos um espírito ou alma, que representa a nossa parte imaterial que, unida ao corpo, compõe o nosso ser criado por Deus em sua totalidade.

Um texto que deixa isso bem claro é este: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Eclesiastes 12:7) 

Dentro do corpo e alma (ou espírito) temos diversas nuances que demonstram a nossa complexidade enquanto seres humanos feitos à imagem e semelhança de Deus.

O segredo para ter experiências sobrenaturais com Deus na prática!

 Postado por Presbítero André Sanchez

Você Pergunta: Eu me sinto muito frio espiritualmente. Vejo pessoas contando experiências grandiosas com Deus e eu não sinto nada na minha vida, tudo parece parado e frio. Será que existe algum problema na minha com minha fé? O que eu poderia fazer para ter experiências marcantes, experiências sobrenaturais com Deus? Pode me ensinar? 

Caro leitor, muitos crentes gostam de criar um tipo de termômetro para medir como estão suas vidas com Deus. E esse termômetro, geralmente, é alimentado por emoções.

Ou seja, quanto mais tocado emocionalmente eu estiver, mais fervoroso estou. Quanto mais arrepios, quanto mais vontade chorar, quanto mais coração disparado, mais experiência com Deus eu tenho!

No entanto, apesar das emoções terem sim parte em tudo na nossa vida, sinto desapontar a muitos, mas experiências emocionais não são a base para que você tenha uma experiência verdadeira e até sobrenatural de fé com Deus!

Mas tem isso na Bíblia, presbítero? Sim, vou te mostrar!   

A verdadeira experiência profunda com Deus

Quando Jesus tem um encontro com Zaqueu, aquele personagem rico e que era publicano, apesar de termos emoções envolvidas ali, o que chama a atenção é que a decisão de Zaqueu é que toma centralidade no texto:

“Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lucas 19:8).

A Bíblia não diz que Zaqueu caiu ao chão, nem que chorou por horas, nem que teve um tipo de experiência sobrenatural. Ele creu em Jesus e seu coração se converteu, gerando ATITUDES de justiça e fé. Jesus diz após isso:

“Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão” (Lucas 19:9).

A maior evidência de contato com Deus que pode haver no coração de um servo de Deus, não é uma experiência emocional e sobrenatural, mas um arrependimento sincero que gera transformações reais de vida. Ali Deus está!

Claro, isso não significa que a emoção não pode estar em tudo isso. Mas ela não é central. Ou seja, mesmo que não tenha emoção alguma, se houver coração quebrantado, isso é suficiente e é muito sobrenatural! É Deus agindo! 

Por isso, quem quer ter experiências sobrenaturais reais com Deus, precisa entender que a obediência a Deus é a maior experiência sobrenatural que você deve ter e desejar! Se Deus te proporcionar algo a mais do que isso, ótimo! Mas saiba que isso não deve ser seu foco principal!

Quando Tiago explicou o que era a verdadeira religião, ou seja, o que realmente mostrava que alguém se conectou com Deus de verdade, ele ensinou: 

“A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1:27).

Observe novamente que a Bíblia não usa o termômetro de experiências sobrenaturais ou emocionais! O termômetro é servir ao próximo e ser santo!

Reafirmo: a maior experiência sobrenatural que podemos ter com o Senhor é fazer a vontade Dele, estarmos no caminho da santidade! Isso é maravilhoso e algo grandioso, pois a nossa natureza humana não quer essas coisas!

Mas, então, eu não posso desejar ver um anjo, ou ver a luz de Deus, ou sentir meu interior queimando com a presença do Espírito Santo? 

O segredo para ter experiências sobrenaturais com Deus

Sim, você pode desejar isso, pode até orar pedindo isso. No entanto, isso não pode ser o seu alicerce. Pois essas coisas não são essenciais e não precisam acontecer para que Deus esteja em sua vida. Se elas não acontecerem você deve ser capaz de continuar cheio da presença de Deus em sua vida, obedecendo e fazendo a vontade Dele!

O apóstolo Paulo foi alguém que teve muitas experiências sobrenaturais com Deus. Algumas delas estão escritas para nosso conhecimento. Mas quando ele fala sobre sua vida com Deus diante das problemáticas do mundo, ele declara:

“Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Coríntios 12:10).

Observe que o apóstolo só cita sentimentos e experiências difíceis, geralmente dolorosas, que mexem negativamente com as emoções. Mas ele conseguiu, através da sua fé e amor incondicional a Deus, ver além delas, além das emoções doídas que vivia! 

Ele consegue ver Deus através de tudo que vivia! Esse é o segredo para ter muitas experiências sobrenaturais com Deus. Enxergar a mão de Deus em todas as coisas, vê-lo trabalhando até na nossa dor!

Vê-lo cumprindo Suas promessas mesmo quando não sentimos nada do que desejamos! Mesmo quando nossos sentimentos, ao contrário, estejam nos dizendo que Deus não está em nada (pois nosso coração é enganoso!)

O apóstolo Paulo ainda nos relata que ele sabia o que o esperava em sua missão e não eram somente experiências sobrenaturais gostosas de se sentir:

“E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações” (Atos 20:22-23).

Por fim, experiências sobrenaturais não são fator fundamental para uma fé forte. Lembremos do povo de Israel, que foi liberto do Egito, teve experiência de ver as pragas, viu o Mar Vermelho ser aberto, viu água brotar no deserto! Muitas experiências sobrenaturais, não é mesmo? Mas o que ocorreu com eles? Abandonaram o Senhor e se entregaram à murmuração!

Como bem nos ensinou o Senhor Jesus: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29).

27 junho 2024

O livro de Malaquias foi escrito somente para os sacerdotes?

 Postado por Presbítero André Sanchez

Você pergunta: Ultimamente tenho ouvido muitas pregações, principalmente contrárias aos dízimos, dizendo que o livro de Malaquias foi escrito para os sacerdotes, ou seja, não eram orientações para o povo em geral. Qual sua opinião sobre isso? Gostaria de entender se o livro de Malaquias foi escrito para os sacerdotes ou para todo o povo de Israel. 

Caro leitor, eu também já ouvi tais pregações dizendo que Malaquias teria sido escrito para sacerdotes. Mas será que essa é a realidade do livro? Hoje iremos analisar dentro do próprio livro a quem foram endereçadas as mensagens trazidas pelo profeta.  

O livro de Malaquias foi escrito para os sacerdotes? 

(1) Malaquias profetizou quando Israel tinha voltado do exílio babilônico e estava retornando a sua vida normal, reconstruindo aquilo que havia sido destruído.

No entanto, ainda era uma comunidade que estava abatida e desesperançada. Apesar do exílio vivido algum tempo antes, o povo estava voltando às práticas pecaminosas que Deus havia condenado.

O profeta é enviado, então, para trazer não somente palavras de condenação, mas de orientação e esperança na futura vinda do Messias.

Malaquias escreveu para os sacerdotes?

(2) O capítulo 1 já demonstra que esse primeiro trecho não foi escrito especificamente para os sacerdotes. Vejamos:

“Sentença pronunciada pelo SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias. Eu vos tenho amado, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? —disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó…” (Malaquias 1:1-2).

Observe que a primeira acusação de Deus é ao povo como um todo (observe que Deus fala de Sua escolha desse povo), povo esse que desafiava o amor de Deus, questionando-o. 

Na sequência, no próximo trecho, Deus se dirige aos sacerdotes de forma específica, que não O estavam honrando, pois faziam um trabalho mal feito ao Senhor:

“Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu governador; acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? —diz o SENHOR dos Exércitos” (Malaquias 1:8). 

Vejam também Malaquias 1:6, onde está claro a fala específica aos sacerdotes nesse trecho.

(3) No capítulo 2 de Malaquias Deus continua falando duramente com os sacerdotes, mostrando a eles que suas atitudes receberiam duros castigos:

“Por isso, também eu vos fiz desprezíveis e indignos diante de todo o povo, visto que não guardastes os meus caminhos e vos mostrastes parciais no aplicardes a lei” (Malaquias 2:9).

Podemos observar com isso que a liderança de Israel nesse período da história estava totalmente distante das leis de Deus, o que resultava também em um povo que seguia esses passos ruins. 

Na sequência do capítulo dois Deus tira o foco dos sacerdotes e volta novamente ao povo, condenando a infidelidade deles:

“Judá tem sido desleal, e abominação se tem cometido em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do SENHOR, o qual ele ama, e se casou com adoradora de deus estranho” (Malaquias 2:11).

Nesse trecho fica clara a reprovação direcionada de Deus com as atitudes do povo como um todo e não especificamente (e somente) de sacerdotes.

(4) Continuamos agora no capítulo 3 onde Deus fala da vinda do precursor do messias (Malaquias 3:1-5), que mais tarde foi identificado como sendo João Batista.

Evidentemente essa profecia tem foco em todo o povo e não somente nos sacerdotes. Segue-se o famoso texto sobre dízimos e ofertas. Para quem Deus está falando ali?

Vejamos: “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?” (Malaquias 3:6-7). 

Observe que essa parte da acusação de Deus é feita ao povo e não a sacerdotes. Fica fácil de identificar isso no trecho destacado acima e mais ainda em Malaquias 3:9-10, quando Deus acusa a “nação toda” de roubá-Lo e manda trazer os dízimos à casa do tesouro.

Quem trazia os dízimos? O povo, claro! Em Malaquias 3:12 Deus finaliza olhando para todo o povo e dizendo que as nações os chamarão de felizes por causa das bênçãos do Senhor sobre eles.

Evidentemente está falando para a nação como um todo e não com sacerdotes de forma exclusiva.

(5) Creio que até aqui conseguimos perceber claramente que Malaquias trouxe sentenças direcionadas a sacerdotes, mas também a todo o povo.

É um grave erro de interpretação dizer que Malaquias inteiro foi escrito para sacerdotes de forma específica.

Conforme demonstrei acima, Deus quis falar sim com os líderes do povo, mas também com o próprio povo, já que os pecados tratados estavam enraizados na nação toda e não somente na liderança.