03 dezembro 2022

O que é o vale da sombra da morte no Salmos 23?


Você Pergunta: O Salmos 23 tem uma expressão que me intriga um pouco. Quando ele fala do Vale da Sombra da Morte, ele está se referindo a quê? Seria alguma região física mesmo que existia ali em Israel ou seria uma expressão figurada?

O Salmos 23 é um dos mais lindos salmos sobre o cuidado de Deus pelas suas ovelhinhas (nós) e está recheado de poesia e figuras vivas que nos ensinam sobre como Deus nos pastoreia, cuida de nós. Vamos compreender melhor agora a expressão vale da sombra da morte.

O que é o vale da sombra da morte no Salmos 23?

(1) O versículo 4 completo diz o seguinte: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Salmos 23:4). Muitas pessoas não sabem exatamente o significado de vale. Vale é um tipo de desfiladeiro.

O desfiladeiro tem uma característica interessante, ele é uma passagem apertada entre montanhas, ou mesmo um tipo de ribanceira, aquele caminho que tem um parede montanhosa de um lado e do outro um penhasco com uma queda bem grande.

É certamente um caminho bem estreito, perigoso, difícil, pouco prazeroso de trilhar para a maioria das pessoas.

(2) Portanto, a figura do vale se encaixa com situações de aperto, de embaraço, que nos tiram o sono, que nos provam, nos tentam a desistir. Essa é a intenção do salmista aqui.

Na sequência ele usa a expressão sombra da morte. O caminhar pelo vale certamente expõe a pessoa a perigos grandiosos. A falta de atenção, o cansaço, um pequeno erro podem fazer com que a pessoa se precipite abaixo nesse vale. Ela pode cair a qualquer momento!

A figura da sombra é interessante. A sombra tem a forma da pessoa, mas não é a pessoa. Penso que o uso aqui indique que apesar de parecer que a morte virá e vencerá, as provações e dificuldades de todo tipo são apenas uma “sombra” e não a realidade. A sombra de algo não pode nos fazer qualquer mal!

Por exemplo, se você for atropelado pela sombra de um ônibus, nada te acontecerá!

(3) Mas isso só é possível porque o pastor está presente. Observe que o texto indica que “não temerei mal nenhum”, porém, existe uma explicação para essa coragem em meio a um vale tão difícil: “porque tu estás comigo”.

O pastor está ali fazendo seu trabalho de cuidar. Por isso, o vale difícil que projeta a sombra da morte sobre nós, ou seja, que quer nos fazer pensar que é o fim, que estamos perdidos, acabados, destruídos, não tem poder sobre nós! Essa é uma linda esperança do cuidado de Deus para com Seus servos!

(4) Dessa forma concluímos que o vale da sombra da morte é um caminho difícil que todos nós atravessamos. Ele é difícil, mete medo, traz angústias, ansiedades, porém, quando nos damos conta de que o pastor está conosco nessa travessia, atravessamos sob as ordens dele, guiados por ele!

A tal morte que nos metia medo, agora, diante de nossos olhos, não passa de uma sombra, de algo que não tem poder de nos fazer mal, pois o pastor está nos conduzindo e, debaixo da condução dele, não há como sermos destruídos. Jesus disse algo que ilustra fortemente essa realidade:

As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10:27-28). 


 Presbítero André Sanchez

29 novembro 2022

O que fazer quando não existem mais saidas?

 


mar-vermelhoIntrodução
Texto Chave: Ex 14-1.2
De que forma você reagiria se, em algum momento, tivesse de enfrentar um problema de solução humanamente impossível? Procuraria controlar as suas emoções ou entraria em pânico? Pediria ajuda a alguém ou continua ria indiferente, agindo como se nada houvesse acontecido? Naturalmente, cada um de nós tem uma maneira de agir quando se depara com algum problema.


Adversidade é:
Situação adversa; contrariedade. Infortúnio, desgraça, infelicidade.

I. Ao perceberem que estavam sem saída, os israelitas:

1.1 — Descobriram que estavam em uma situação de risco
Os carros de Faraó estendiam-se a perder de vista, e os arqueiros ansiavam por vingar o nome do Egito. Eles encontraram os israelitas junto ao mar, perto de Pi-Hairote, diante de Baal-Peor (Êx 14.6,7,9).
1.2 — Foram dominados pelo medo
Eles tiveram medo do exército de Faraó (Êx l4.lOa).
Nota cultural
O medo não é uma reação patológica, mas um instinto de proteção e auto- preservação. Muitas vezes, no momento em que nossa vida está sob perigo, Deus pode intervir a nosso favor, realizando algum milagre.
1.3 — Pensaram em recuar
Os israelitas estavam acampados em Pi-Hairote, quando começaram a murmurar (Éx 14.12).

II. Atitudes que devemos tomar quando não existem mais saídas
2.1 — Enfrentar o pânico
O medo é um sentimento muito comum na vida de qualquer ser humano. Contudo, ter medo de sair de casa, de dormir de frente para a janela, de entrar em ônibus, de estar em ambientes escuros ou de permanecer dentro de elevadores caracteriza um tipo de neurose que precisa ser curado por Jesus, mesmo que com a ajuda de um especialista.
2.2 — Nunca desistir de clamar
Quando não encontramos solução para os problemas, devemos clamar a Deus (Êx 14.l0b).
2.3 — Controlar o medo
Moisés ordenou ao povo que não tivesse medo de Faraó (Êx 14.13a).
2.4 — Ficar quietos
Moisés ainda falou ao povo convencendo-o a manter-se quieto, calmo, e esperar o tempo de Deus agir em nossas vidas. (Êx 14.13b).
2.5 — Confiar no Senhor
Devemos ter fé de que Ele peleja por nós (Êx 14.14).
2.6 — Seguirem frente
A ordem de Deus para o povo de Israel foi: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem (Êx 14.15b).
2.7 — Usar a autoridade espiritual
Moisés usou a sua autoridade espiritual quando levantou a vara diante do mar (Êx 14.16).

III. Os propósitos de Deus para a nossa vida. Ele muitas vezes nos leva em direção às adversidades:
3.1 — Para que sejamos vitoriosos
Nenhuma adversidade acontece na vida do cristão com o propósito de derrotá-lo (Êx 14.17,18).
3.2 — Para que o inimigo saiba que o Senhor é o único Deus
O povo de Israel temeu ao Senhor quando viu o exército de Faraó submergir no mar (Êx 14.3 1).
3.3 — Para que Ele seja glorificado
Quando somos abençoados, Deus é exaltado em nossa vida. Em Êxodo 14.19, lemos que o anjo se pôs também à frente do povo, mostrando com isso que Deus deve ocupar o primeiro lugar em nossa vida.


Conclusão
Se você está enfrentando tribulações, se tem algum problema cuja solução seja humanamente impossível, não desista: clame a Deus, siga em frente, não deixe que o medo o domine, confie no Senhor e use a autoridade recebida de Jesus Cristo. Isso é o mínimo a ser feito quando você verifica que está no fundo do poço e que não existem mais saídas.

Fogo sobre o altar

 

fogo-sobre-altarIntrodução
Na Bíblia, o fogo é um símbolo de Deus, do Espírito Santo, de Sua presença e operação. O fogo no altar indica comunhão com o Senhor, proteção, revelação e direção, ânimo e alegria, bem como purificação e transformação de vida. Falemos então sobre esse importante assunto.

O fogo é:
O desenvolvimento simultâneo de calor, luz e chama. E o produto da combustão de matérias inflamáveis. Na Bíblia, o fogo é um símbolo de Deus, que consome (Jl 2.3); simboliza também a Palavra (Jr 23.29) e o Espírito Santo (At 2.2,3).


I. O fogo é um símbolo do poder divino
Na Bíblia, há várias referências que associam a presença de Deus ao fogo. Moisés se deparou com a sarça ardente (Êx 3.2). O Senhor desceu sobre o monte na forma de fogo (Êx 19.18). O aspecto da glória do Senhor é como o fogo (Êx 24.17). O nosso Deus é um fogo consumidor (Hb 12.29; Dt 4.24).
Dentre os muitos benefícios produzidos pela presença do Senhor, destacamos:

1.1 — A poderosa proteção de Deus
Quando os israelitas saíram do Egito, durante toda a sua caminhada pelo deserto, o Senhor ia adiante deles (Êx 13.21) e dizia: E eu, diz o SENHOR, serei para ela um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória (Zc 2.5).
1.2 — A alegria incondicional
A presença do Altíssimo traz vida, alegria, prazer (SI 16.11). Constatamos esse tipo de alegria em 2 Crônicas 7.1,3. A alegria do Senhor é a nossa força (Ne8.10).
1.3 — A purificação da alma
Os rituais de purificação recomendados pela Lei mosaica (Lv 12—15) nos serviram de preceptores para nos conduzir a Cristo -. Medite também no Salmo 51.2,7,10,11.

II. O fogo contínuo no altar
No Antigo Testamento, para que a unção de Deus fosse derramada na vida de uma pessoa aliançada com Ele, eram necessários sacrifícios oferecidos sobre um altar. Analisemos mais detidamente esse assunto e vejamos que, para haver fogo, segundo as leis mosaicas, era preciso:
2.1 — Preparar o altar para o sacrifício
Toda vez que alguém quisesse consagrar-se ou demonstrar gratidão ao Senhor por alguma bênção recebida, teria de edificar um altar (veja Gn 8.20;
12.7; 13.4,18; 15; 22.9; 26.25; 33.20; 35.1,3,7; Êx 17.15; 20.4; 24.4; 32.5; Js 8.30).
2.2 — Pôr em ordem o altar
Não basta apenas termos o altar. Temos de mantê-lo limpo. O sacrifício não pode ser oferecido de maneira negligente (Lv 1.7,10-12). O altar representa a nossa vida. Devemos fazer tudo com decência e ordem (1 Co 14.40).

III. Os sacrifícios realizados no altar
Os sacrifícios estão relacionados à nossa devoção ao Senhor. Sendo assim, vamos fazer uma alusão ao assunto, comparando cada oferta no Antigo Testamento com o nosso relacionamento com Deus.
3.1 — O holocausto e a nossa entrega total a Deus
Este primeiro sacrifício ofertado (Lv 1.2-9) fala de nossa entrega total a Deus, de espírito, alma e corpo (leia Rm 12.1).
3.2 — A oferta de manjares e a santificação
Vejamos o significado dos elementos presentes neste segundo tipo de sacrifício do Antigo Testamento, conforme descrito em Levítico 2.1- 3,11-13:
3.2.1 — O trigo simboliza a Palavra;
3.2.2 — O azeite simboliza a unção do Espírito;
3.2.3 — O fermento simboliza o orgulho;
3.2.4 — O sal é o símbolo da fidelidade a Deus.
Paulo nos exorta a termos uma vida separada para o uso exclusivo de Deus
(1 Co 6.14-18).
3.3 — As ofertas pacificas, então, significam a gratidão e a comunhão com Deus
Este terceiro sacrifício no Antigo Testamento (Lv 3.1-5,17) era oferecido em gratidão por uma bênção recebida ou como pagamento de um voto, e indica a renovação de nossa aliança com Deus.
Essa necessidade é constatada tanto no Antigo Testamento como no Novo:
3.3.1 — Habacuque pediu um avivamento ao Senhor (Hc 3.2)
3.3.2 A renovação é derramada como óleo (Si 133.1-3)
3.3.3 — O Espírito renovou os discípulos no Dia de Pentecostes (At 2.1-4)

IV. A melhor oferta depositada sobre o altar
Vejamos alguns detalhes em relação às primícias de nossa renda (Pv 3.9,10), como por exemplo:
4.1 — A importância dos dízimos e das ofertas
Antes de abençoar o Seu povo, o Senhor o exortou a contribuir para a Sua casa (Ml 3.7-12). Quem sonega dízimo e ofertas voluntárias padece necessidades.
4.2 — O amor, a alegria, a generosidade e a voluntariedade na oferta
O doador precisa ser motivado pelo amor a ofertar. Entre outras promessas bíblicas, encontramos mais esta: bênçãos abundantes a quem dá com alegria (2 Co 9.7-9).
4.3 —A glória de Deus e a humildade humana
Temos de prostrar-nos diante da tremenda glória de Deus, como aconteceu com os sacerdotes no templo (2 Cr 7.1-4 — Veja também Isaias 6.5).

Conclusão
Devemos manter o nosso altar limpo e arrumado, doar a nossa oferta como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, consagrar-nos, buscar a comunhão com o Senhor e os irmãos em Cristo e manter acesa a chama da fé pela oração e a leitura da Palavra. Assim, Deus descerá sobre a nossa vida com poder, acompanhando-nos por onde quer que formos.