22 julho 2016

BÍBLIA A PALAVRA DE DEUS

BÍBLIA A PALAVRA DE DEUS


O novo currículo escolar e o banimento da História do Cristianismo

Posted: 21 Jul 2016 08:21 PM PDT



No início deste ano circulou pela Internet a notícia de que o Governo Federal estaria arquitetando um plano para banir do currículo escolar do país a história do Cristianismo. O alerta teria partido do professor e historiador Marco Antônio Villa, em sua coluna no jornal ´O Globo´. 
Mas, ao ler o artigo "A revolução cultural do PT" percebi que Villa chamava a atenção para uma certa "Base Nacional Comum Curricular" (BNC), um plano do Ministério da Educação que pretende reformular a matriz educacional do país. De acordo com o historiador o documento está recheado de equívocos e de desconhecimento da História. Isso porque, só para ficar em alguns exemplos do ensino médio, o novo currículo não contempla o ensino da História Antiga englobando-se aí estudo da Mesopotâmia, Egito, cultura grega, Império Romano e, é claro, o nascimento do Cristianismo. A História Medieval também foi desprezada, desconsiderando-se a expansão do Cristianismo e seus reflexos na cultura ocidental; as transformações econômico-políticas, especialmente a partir do século XI. 
A afirmação de que governo estaria idealizando um plano para banir a história do Cristianismo do currículo escolar nacional, portanto, não representa completamente a realidade dos fatos. Para sermos exatos, tal banimento ocorre como a consequência lógica da desconstrução de grande parte da História mundial, principalmente do Ocidente, mediante a retirada de certos períodos da humanidade do ensino escolar básico. A História do pensamento cristão é afetada certamente, assim como os relatos do mundo greco-romano e as grandes revoluções mundiais.
Seja como for, a notícia evoca certa preocupação e nos conclama a refletir sobre as implicações práticas desse novo programa curricular. Afinal, longe de representar uma mera direção pedagógica do Ministério da Educação, a escolha do conteúdo fundamental para a formação básica dos estudantes se fundamenta em certas inspirações ideológicas, que influenciam a forma de pensar e a visão de mundo das pessoas. O currículo, segundo afirma o material de divulgação do governo, "precisa preparar os alunos para a vida"[1]. 
Considerando que o ser humano é influenciado em grande medida por aquilo que aprende, somos impelidos a perceber que há muita coisa em jogo nesta proposta do governo federal, com impacto significativo a longo prazo. 
Desenvolvida por determinação do Plano Nacional de Educação (PNE) a proposta da BNC – ainda em fase de consulta pública até 15 de março – prevê quatro áreas de conhecimento: Matemática, Linguagens, Ciências da Natureza e Humanas; sendo esta última a que mais inspira críticas e preocupação, onde está alocada a História.
A compreensão da História é importante porque, como escreveu Michael D. Palmer, "toda importante teoria de fundo do universo também afirma ou implica algo sobre a história em sua ideologia"[2]. Enquanto os cristãos, por exemplo, olham para o passado da humanidade e o desenvolvimento histórico à luz do propósito divino, os naturalistas afirmam uma visão cegamente mecânica, como produto dos seres humanos interagindo entre si e com as forças naturais impessoais [3]. 
Desse modo, a própria metodologia empregada para o ensino dessa disciplina direciona o modo como os alunos podem compreender boa parte da dimensão da vida e da construção dos valores. Por isso, quando usada de forma negativa, a História pode servir como ferramenta de doutrinação ideológica, dominação e ocultação da verdade. Regimes totalitaristas são pródigos em tentar desconstruir o passado e recontá-lo de acordo com sua conveniência. O livro "1984" do escritor George Orwell demonstra isso de modo brilhante. Nesta obra de ficção, a autoridade máxima (o Partido) fazia de tudo para alterar a realidade do passado, apagando e reescrevendo, inclusive, o conteúdo dos livros históricos.
De volta ao currículo, percebe-se que a proposta apresenta uma metodologia pedagógica multiculturalista, que pretende levar o aluno a conhecer a história a partir da realidade sociocultural brasileira. O novo currículo abandona a estrutura clássica da história baseada no esquema temporal (Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea), colocando em seu lugar um método baseado nos diferentes "mundos": Mundos brasileiros; Mundos ameríndios, africanos e afro-brasileiros; Mundos americanos e; Mundos europeus e asiáticos. 
Além de retirar a perspectiva cronológica do desenvolvimento da humanidade, criando uma História sem tempo [4], a nova metodologia materializa a aversão ao chamado eurocentrismo (a Europa como o centro), e tudo o que isso representa, especialmente as grandes navegações e as conquistas da Europa cristã. E assim, contra essa visão "imperialista e conquistadora", como costumam rotular, apresenta-se um ensino baseado nos diferentes "mundos" e diferentes culturas. 
Embora a crítica ao eurocentrismo não seja de todo equivocada, a desconstrução do modelo clássico, na forma proposta, é perigosa, pois desconsidera as importantes contribuições do Cristianismo no percurso das civilizações. Demétrio Magnóli observou que: "Sem a Idade Média europeia, [os alunos] jamais entenderão a importância das religiões monoteístas na formação de sociedades que, pela primeira vez, englobaram grupos geográfica e culturalmente diversos por meio de valores éticos universalistas" [5]. A fragmentação da história tenta apagar a marcante linha da influência da cristandade sobre o ocidente, suas tradições e cultura, apresentando em seu lugar um panorama segmentando do mundo, que não apenas reconhece, mas incentiva o multiculturalismo.
Diante das evidências inegáveis do passado, desconsiderar a contribuição do Cristianismo na história mundial é um ato insano, que somente pode ser compreendido como uma tentativa de manipulação pela mentalidade pós-cristã e secularizada do nosso tempo. Isso porque, como demonstra o historiador Chistopher Dawson [6], a religião é a alma da cultura e o Cristianismo, especialmente, se tornou uma força moral e social no mundo ocidental, a partir do pressuposto que Deus se importa com o homem e com a história do mundo. Segundo Dawson, ou reapropriamos uma cultura cristã vital ou avançamos em direção a expressões mais perigosas e alienadas de consumismo e totalitarismo. 
Desse modo, ainda que não seja o objetivo direto do novo currículo escolar banir o ensino da história do Cristianismo, o modelo pedagógico proposto parece partir de uma perspectiva ideológica que rejeita suas contribuições históricas. Diante disso e da importância do currículo básico para a formação dos estudantes, é indispensável que os cristãos em geral, principalmente os especialistas na área, analisem com cuidado e discernimento (1 Co 2.15) o teor do documento, a fim de antever as suas implicações para a sociedade em geral; não somente a respeito deste tema, mas de muito outros que constam na proposta. 
Artigo publicado originalmente no Mensageiro da Paz - Março de 2016.
Referências
[1] Disponível em: http://movimentopelabase.org.br/. Acesso em 29.01.16.

[2]
PALMER, Michael. Panorama do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 32.


[3]
Idem.


[4]
Expressão usada por Demétrio Magnoli e Elaine Senise Barbosa. Disponível em:
http://oglobo.globo.com/opiniao/historia-sem-tempo-17719022. Acesso em 29.01.16.


[5]
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2015/11/1703011-proposta-do-mec-para-ensino-de-historia-mata-a-temporalidade.shtml.
Acesso em 29.01.16.


[6]
DAWSON, Christopher. Progresso e religião. São Paulo: É Realizações, 2012.

Perfil
Valmir Nascimento é ministro do evangelho, jurista, teólogo e mestrando em teologia. Possui pós-graduação em Direito e antropologia da religião. Professor universitário de Direito religioso, Ética e Teologia. Editor da Revista acadêmica Enfoque Teológico (FEICS). Membro e Diretor de Assuntos Acadêmicos da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure). Analista Jurídico da Justiça Eleitoral. Escritor e palestrante. Comentarista de Lições Bíblicas de Jovens da CPAD (Jesus e o seu Tempo). Evangelista da Assembleia de Deus em Cuiabá/MT.

CPADNEWS

Escola não pode impedir inclusão de material satânico na biblioteca, segundo diretoria

Posted: 21 Jul 2016 08:10 PM PDT

Distrito Escolar Delta, no Colorado informou que suas políticas de administração só os levam proibir materiais que promovam a hostilidade, violência, fins comerciais por publicidade de um produto, a candidatura em uma eleição ou que sejam obscenos / por




O Distrito Escolar do Condado de Delta, no Estado do Colorado (EUA) afirmou que, conforme as políticas de administração, os grupos ateus estão permitidos a prosseguir com o seu plano de distribuir literaturas com material, não apenas secular, mas também satânico nas bibliotecas escolares.
As organizações "Western Colorado Atheists and Freethinkers" ("Ateístas e Pensadores Livres Ocidentais do Colorado") e a "Freedom From Religion Foundation" ("Fundação Liberdade de Religião") irão incluir suas literaturas em uma tabela das bibliotecas do ensino médio no Distrito Escolar. A medida seria uma resposta à distribuição de exemplares do Novo Testamento pelos Gideões nas escolas, de acordo com a mídia local.
Ao que tudo indica, os grupos ateístas estão até mesmo aceitando o apoio de um grupo religioso nesta campanha. Além de distribuir a literatura satânica - que inevitavelmente carregam os conceitos de uma seita / religião -  as organizações responsáveis por esta iniciativa, também estariam contando com o apoio do templo satânico neste programa de inclusão das literaturas nas escolas.
Um dos novos broches que os grupos têm preparado para os alunos do ensino médio traz frase "Não há problema em não acreditar em Deus!".
"Elfos, unicórnios, deuses, anjos, fadas, fantasmas, Papai Noel e a fada dos dentes. ... Todas essas criaturas mitológicas têm uma função na mente humana", diz um folheto que divulga a campanha. "Deuses foram inventados para explicar fenômenos naturais, como trovões e relâmpagos. ... Eles ensinam as crianças que Jesus Cristo foi pregado em uma cruz por causa de seus pecados e seu coração enganoso. Estes programas são projetados para envergonhar e aterrorizar as crianças em sua apresentação e silêncio, e ensiná-las a não fazer perguntas...".
Muitos pais estão alarmados e indignados com a distribuição de material satânico nas escolas de seus filhos. Mas Kurt Clay, superintendente assistente do Distrito Escolar Delta, afirmou que eles têm de permitir que todos os tipos de informações estejam disponíveis para os estudantes, assim como eles também recebem literaturas de outras organizações, como os escoteiros e outras mais.
Segundo o Distrito, a política por eles adotada não permite a discriminação contra quaisquer grupos ou organizações em relação a materiais não-curriculares. Só são proibidos materiais que promove a hostilidade ou à violência, fins comerciais por publicidade de um produto, que promovam a candidatura em uma eleição e seja obscenos ou pornográficos.
Cerca de quatro meses atrás, exemplares bíblicos dos Gideões Internacionais foram disponibilizados para os alunos em bibliotecas escolares, o que levou os ateus a planejarem a distribuição de material ateísta e satânico.
Agora, o distrito escolar está buscando rever a sua política para permitir que materiais benéficos aos estudantes estejam disponíveis aos estudantes, mas isto não inclui questões religiosas ou crenças.
No início deste mês, o advogado Andrew Seidel, da "Fredom From Religion" escreveu aos funcionários do distrito escolar que "as escolas públicas já tentaram negar a permissão ao grupo ateísta de distribuir as literaturas. ... Isso resultou em um processo que custou às Escolas Públicas do Condado, quase 90 mil dólares e as escolas acabaram permitindo toda a distribuição das literaturas.
Candi Cushman, analista de educação especializada em Família, em Colorado Springs, disse anteriormente ao site 'Christian Post' que se sentia que o "bom senso e os padrões de decência devem ser aplicados a este caso".
"A partir das imagens exibidas na televisão e relatórios recentes sobre esta história, parece que alguns dos materiais podem ser depreciativos com relação a outros pontos de vista religiosos e até mesmo lascivos em suas representações", disse Cushman.

O Cajado

Posted: 21 Jul 2016 04:17 AM PDT



II Samuel 23:21

"Matou também um egípcio, homem de temível aspecto; tinha este uma lança na mão, mas Benaia desceu a ele com um cajado, arrancou-lhe da mão a lança, e com ela o matou".

INTRODUÇÃO

O texto relata-nos sobre um homem chamado Benaia que foi um dos 37 valentes de Davi. Ele lutou com um "homem egípcio, homem de respeito", segundo o texto, indicado que esse egípcio era uma pessoa admirada e respeitada pelos seus.

O egípcio possuía uma lança, com a qual investiu sobre Benaia para o destruir, porém, Benaia defendeu-se com um instrumento aparentememte inadequado, e frágil para uma luta, um cajado. A palavra nos diz que Benaia com seu cajado arrancou a lança da mão do egípcio e o matou com sua própria lança.

O egípcio é tipo daquilo que é gerado pelo mundo, daquilo que agrada a carne e tudo o que é gerado pelo mundo é com competência, velocidade e precisão, levando as pessoas a ter grande admiração.

Ele usou as armas do mundo (lança), que são para matar, destruir a vida do homem, separando-o de Deus para sempre (lança=morte).
Benaia é tipo do servo fiel a Deus, que se opõe ao egípcio, e o faz também com competência, velocidade e precisão, pois, quando lutou contra o egípcio, teve agilidade suficiente para tomar a lança de suas mãos, utilizando um instrumento completamente diferente da lança, e que aparentemente não seria capaz de faze-lo, esse instrumento foi o cajado.

Quem olhasse para os dois lutando, humanamente diria que o egípcio venceria Benaia facilmente, pois a lança é uma arma própria para um combate, o cajado não.

Com o cajado Benaia venceu o que foi gerado pelo mundo, venceu a carne ("a carne não herdará o reino de Deus" – I Cor. 15:50). O que o mundo gera é para a morte e para vence-la só a direção que se obtém através do cajado.

O cajado é a arma do servo desta obra, pois representa o Senhor Jesus e com ele (cajado) derrotamos o egípcio. Com o cajado vencemos o que é gerado pelo mundo. O que o mundo gera é para a morte, mas com cajado em nossas mãos temos a direção para a vida eterna.

CONCLUSÃO

Egípcio – o que é gerado pelo mundo
Lança – arma da carne que leva à morte
Benaia – servo desta obra
Cajado – arma do servo que nos leva a vida eterna, pois simboliza o governo, a direção, o apascentar, o cuidado do Senhor para com nossas vidas.

Wallace Oliveira Cruz

Dawkins: Quando os ateus defendem a fé cristã

Posted: 21 Jul 2016 08:32 PM PDT

Em um raro momento de fraqueza ateísta (e sinceridade epistemológica) o papa dos ateus, Richard Dawkins, afirmou (certamente a contragosto) que o Cristianismo - veja lá - é um baluarte contra algo pior, em tempos de crescimento do terrorismo islâmico.

Em sua versão de apologista cristão Dawkins afirmou: "Não há cristãos, tanto quanto eu sei, explodindo edifícios". "Não tenho conhecimento de quaisquer ataques suicidas cristãos. Não tenho conhecimento de qualquer grande denominação cristã que acredita que a pena para a apostasia é a morte".

Dawkins reconheceu que os ensinamentos de Jesus Cristo não levam a um mundo de terror, enquanto que os seguidores do Islã perpetram atrocidades que ele lamenta.

Embora o texto seja de 2010 (como me passou despercebido à época?) somente agora ganhou repercussão na internet. Porém, nunca é tarde demais para avaliar uma preciosidade dessas, principalmente vinda de Dawkins.

Isso me recorda outro ateu que também reconheceu os benefícios sociais do Cristianismo: Alain de Botton. Em seu livro Religião para ateus ele sugere que o ateísmo deve tomar como exemplo várias estratégias e concepções da religião em geral e do Cristianismo em particular para se tornar algo palatável, ser compreendido e aceito no ambiente social.

Botton afirma que seus pares ateus não estão dispostos a considerar a cultura secular de forma suficientemente religiosa, como fonte de orientação. Com relação à educação, diz ele, enquanto aqueles que tentam fundamentar a educação na cultura secular (e não nas Escrituras) tem sérias dificuldades para justificar-se como algo relevante e útil, o cristianismo olha para o propósito da educação a partir de outro ângulo, na qual somos desesperados, frágeis, vulneráveis, pecadores, mais bem-informados que sábios, sempre à beira da angústia, aterrorizados com a morte e, acima de tudo, necessitados de Deus.

A partir dessa perspectiva, "o cristianismo se ocupa desde o início com nosso lado interior e confuso, declarando que nenhum de nós nasce sabendo como viver; somos, por natureza, frágeis e caprichosos", de modo que a educação tem um papel primordial nesse processo de instrução do homem. Com efeito, segundo Botton, o "cristianismo está focado em ajudar uma parte de nós que a linguagem secular tem dificuldade até mesmo de nomear (...)" "(...) tem sido a tarefa essencial da máquina pedagógica cristã cultivar, tranquilizar, confortar e guiar nossas almas".[1]

Ele afirma:

"Por mais que possamos discordar da visão do cristianismo com relação àquilo de que nossa alma necessita, é difícil invalidar a provocativa tese subjacente, que não parece ser menos relevante no domínio secular que no religioso – a tese de que temos em nós um núcleo perigoso, infantil e vulnerável, que deveríamos nutrir e cuidar ao longo de sua turbulenta jornada pela vida"[2].

Alain de Botton captou o pressuposto pelo qual a educação possui uma posição de destaque no Cristianismo. A doutrina da Queda e da depravação humana explicam a natureza do homem e ao mesmo tempo exige um processo pedagógico de constante instrução acerca da Lei de Deus. Caído, o ser humano carece de educação permanente, a fim de ajudá-lo no desenvolvimento do conhecimento, habilidades e atitudes que contribuam para que possa glorificar e agradar melhor a Deus[3].

O que Alain de Botton e Richard Dawkins não perceberam é que não é possível utilizar um pressuposto cristão para encaixá-lo numa cosmovisão naturalista. O que eles pretendem é pegar emprestado uma ferramenta teísta para utilizar em sua visão de mundo ateísta. Em outras palavras: eles querem andar de carona nos pressupostos cristãos.

Mas, uma visão de mundo, para ser coerente, deve guardar correspondência com seus pressupostos estruturantes. Quando isso não ocorre, tendo que recorrer aos fundamentos de outra cosmovisão, evidencia-se que a cosmovisão professada na verdade é falha, pois não consegue explicar toda a realidade, incluindo a natureza humana.

É isso o que ocorre com o ateísmo de Botton e de Dawkins. No fim das contas, eles simplesmente expõem a incoerência de descrença que professam, cujas premissas não conseguem dar sentido à existência humana e promover pacificação social.


Notas

[1] BOTTON, Alain. Religião para ateus. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2011, p. 89.
[2] BOTTON, Alain, 2011, p. 91.

[3] HUGHES, John In; MACARTHUR, John (org). Pense Biblicamente. São Paulo: Hagnos, 2005, p. 377.

Impeachment, crise moral e a Bíblia

Posted: 21 Jul 2016 08:36 PM PDT

O Brasil está passando por um momento delicado, diante de um cenário de instabilidade política, corrupção generalizada e recessão econômica. Nunca antes na história desse país tivemos um cenário tão escandaloso como o que agora se vê.

O mais recente capítulo dessa crise moral que abala a nação é o possível impeachment da presidente Dilma Roussef. Depois de um jogo de ameaças nada republicano, envolvendo interesses diversos, o presidente da Câmara Eduardo Cunha acatou um dos pedidos contra a Presidente, referente a denúncia das chamadas "pedaladas fiscais", um tipo de "empréstimo" dos bancos ao governo, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em virtude desse contexto tão nebuloso que pode acarretar a perda do mandato eletivo da Presidente da República, alguns irmãos indagam se, à luz das Escrituras Sagradas, poderíamos, como cristãos, apoiar o impeachment, afinal de acordo com Romanos 13.1 todas as autoridades foram constituídas por Deus.

Antes de dar uma resposta teológica a esta indagação, precisamos compreender o que é, de fato, o processo de impeachment.

De plano, é preciso dizer que esta palavra "impeachment" não consta em nossa Constituição Federal. De origem inglesa, a palavra tem o significado de "impedimento" ou "impugnação" contra a autoridade governamental acusada de infringir os seus deveres funcionais. No Brasil, a expressão é usada em referência ao processo que apura crimes de responsabilidade, isto é, infrações político-administrativas.

Nesse sentido, o art. 85 da Constituição de 1988 estabelece que são crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: I - a existência da União; II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; IV - a segurança interna do País; V - a probidade na administração; VI - a lei orçamentária; e VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

De acordo com o constitucionalista Pedro Lenza, recepcionada em grande parte, pela Constituição Federal de 1988, a Lei n. 1.079/50, que estabelece as normas de processo de julgamento dos crimes de responsabilidade, foi alterada pela Lei n. 10.028/2000, que ampliou o rol das infrações político-administrativas, especialmente em relação aos crimes contra a lei orçamentária.

Ao contrário, portanto, daquilo que apregoa a histeria governista-esquerdista, oimpeachment não é um instrumento de golpe político, mas sim um processo legítimo, legal e democrático para a apuração de crimes de responsabilidade do Presidente da República. Cabe lembrar que o mandato eletivo conquistado nas urnas não possui caráter absoluto e inquestionável, mas comporta exceções que ocasionam a perda do mandato, especialmente nas hipóteses de comprovado abuso de poder político, econômico ou dos meios de comunicação.  Com efeito, ainda que excepcional, o impeachment é também outra ferramenta constitucionalmente legítima de desconstituição do poder outorgado pelo povo. Do contrário, teríamos que considerar a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo igualmente como um meio de golpe;  o que, de fato, é contraditório.

Golpe político consiste em meio antidemocrático da tomada de poder. Enquanto isso, o processo de impeachment garante a legitimidade do poder, concedendo ao acusado o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Quanto ao que Paulo escreve aos Romanos no capítulo 13, precisamos ter em mente um princípio bíblico basilar que advém, antes de tudo, das palavras do próprio Jesus: "Dai a César o que é César, e a Deus o que é Deus"(Mt 22.21). Ao comentar essa passagem, Francis Schaeffer (p. 208) recorda que Jesus não quis dizer Deus e César, em uma posição de igualdade, lado a lado; mas Deus e César, numa posição de superioridade divina.

Ao mencionar Romanos 13 Schaeffer enfatiza: "Deus estabeleceu o Estado como autoridade delegada; ele não é uma autoridade autônoma. O Estado deve ser um agente de justiça para restringir o mal, punindo o malfeitor, e para proteger os bons na sociedade. Quando ele faz o inverso, não tem autoridade legítima. Ele se torna uma autoridade usurpada e, como tal, se torna ilegal e tirana" (p. 208).

Desse modo, ele propõe que a desobediência civil, às vezes, é uma atitude necessária ao cristão, especialmente quando a lei do Estado destoa da Lei de Deus (cf. Atos 5.19). Ele escreve: "A certa altura, existe não somente o direito, mas o dever de desobedecer ao Estado" (p. 209).

Todavia, antes de desobedecer ao Estado, a própria Constituição do país estabelece mecanismos de desconstituição daquele que desborda do seu poder. Afinal, nos estados democráticos, a maior autoridade não é o ocupante do poder, mas a própria Constituição. Ela é a Carta Magna. Logo, temos que a autoridade delegada por Deus é a própria Constituição. Assim, quando o governante a contraria, caso ela seja justa e em sintonia com a Lei de Deus, então o governante está contrariando a autoridade do próprio Deus, podendo, portanto, ser destituído.

A possibilidade jurídica de impedir a manutenção de governantes corruptos no poder advém, aliás, de pressupostos judaico-cristãos, a par da doutrina bíblica da falibilidade e depravação do homem. Jónatas Machado nos recorda que o direito constitucional moderno "tem subjacente a ideia de que nenhum ser humano, tal como nenhuma autoridade política ou religiosa, pode pretender para si um estatuto de infalibilidade. Daí que ninguém pode reclamar o poder absoluto ou uma liberdade absoluta. De acordo com esse entendimento, só Deus pode reclamar a infalibilidade" (p. 41,42).

Segundo Machado, "a defesa de um governo limitado por direitos fundamentais, do princípio da separação de poderes e da existência de controlos internos e externos à actuação estadual pressupõe a verdade das afirmações judaico-cristãos da corrupção da natureza humana" (p. 43). Assim, "o reconhecimento da legitimidade e da necessidade do combate à corrupção, ao arbítrio, à prepotência, à criminalidade, à poluição do ambiente, etc, aí está para demonstrar que o Estado Constitucional parte do princípio de que nem todos os comportamentos humanos são igualmente valiosos e legítimos" (p. 43).

Essa é a razão pela qual os cristãos são convocados a lutar contra os desmandos governamentais e denunciar todo e qualquer tipo de corrupção, seja no Executivo, Legislativo ou Judiciário (Dt 16.19,20; Sl 82.2-5; Is 1.23; ), e até mesmo no seio da comunidade cristã, em face daqueles que se afirmam irmãos na fé. Nesse sentido, o profeta Isaías vaticinou: "Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres, e para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas, e roubando os órfãos! Mas que fareis no dia da visitação, e da assolação, que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa glória, sem que cada um se abata entre os presos, e caia entre os mortos?" (1.:1-4).


Bibliografia

LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 13a. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
MACHADO, Jónatas. Estado constitucional e neutralidade religiosa: entre o teísmo e o neoateísmo. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013.

SCHAEFFER, Francis. A igreja no século XXI. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

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