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Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: "O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: 'Aqui está ele', ou 'Lá está'; porque o Reino de Deus está no meio de vocês".  Lucas 17:20-21

 

Não há dúvida alguma da importância do tema Reino de Deus nas pregações de Jesus. Ele mesmo, como homem, deu sinal da existência palpável do Reino de Deus. Suas ações demonstravam sinais do reino. Cada vez que tinha compaixão pelas multidões, marginalizados; cada vez que curava os enfermos, alimentada milhares de pessoas preocupando-se não somente com o alimento espiritual, mas com o material também; cada vez que olhava para o pecador e publicano ou sentava-se na mesa com um, o Reino de Deus se tornava visível não da forma como os religiosos esperavam, em algo material, mas se fazia concreto em ações.

O Reino de Deus não deve estar distante, mas no meio de nós. A Igreja não é o Reino de Deus, mas é um sinal dele. E quando a Igreja preocupa-se em ser conhecida em sua comunidade, em atender e servir não somente seus membros, mas quem quer que a ela chegue procurando socorro e principalmente quando a Igreja vê o ser humano em sua integralidade, como carecedor de salvação, de cuidados, amor, alimento físico e espiritual, a Igreja evidencia o Reino de Deus. Cada vez que a igreja deixa de ser fechada, como um clube em que a comunhão é maravilhosa apenas entre membros que se reúnem e se divertem com suas programações, mas olha para fora, para o mundo, para os marginalizados, a igreja é verdadeiramente um sinal do Reino.

Bem próximo da minha casa tem uma igreja e os sinais do reino devem estar bem lá dentro. Ela jamais se abriu para a comunidade, jamais convidou os vizinhos e moradores do bairro para suas programações. No recente dia das crianças, observei quantas crianças, inclusive carentes havia nas imediações, mas a festa era para as crianças da igreja. As demais ficaram do outro lado da rua observando, de fora. Fiquei muito triste. Não foi para isso que Jesus veio e morreu em uma cruz. A Igreja deve ser voltada para fora dos seus muros e paredes, deve quebrar seus preconceitos e barreiras. Só assim será sinal do Reino de Deus. Jesus não se limitava a ficar quieto nas sinagogas, tampouco os apóstolos e a igreja primitiva se fechou em suas paredes. Pelo contrário, em meio à perseguição, a igreja caia na graça da comunidade. Todos a admiravam.

A igreja deve ser um sinal do Reino, onde se percebe claramente na vida da comunidade e cada um de seus membros, a justiça, igualdade, amor, paciência, misericórdia. Um lugar que conduz pessoas a Jesus por meio de ações concretas, não somente pregações, mas práxis. Um lugar com pessoas que evidencie o amor de Deus pela humanidade; que deixe claro o quanto Deus ama o pecador e quer libertá-lo, restaurá-lo, cuidar da sua espiritualidade, mas também de suas necessidades materiais e emocionais. Parece utópico?  Não é. Conheço comunidades religiosas que, de fato, evidenciam a presença do Reino de Deus e por isso acredito que isso é plenamente possível desde o momento em que os crentes deixam de olhar para seus próprios "umbigos" e passam a enxergar o pecador e a missão para o qual foram chamados.