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 Sou servo do Senhor desde 2001,sirvo a Deus na Igreja do Evangelho Quadrangular,  obreiro formado no Instituto Teológico Quadrangular, professor da Escola Bíblica,  casado com Elisângela a 25 anos , pai de 2 filhos maravilhosos,  buscando cada dia conhecer mais ao Senhor. Meu maior desejo é ser " uma bênção" e abençoar àqueles que estão perto e através da web os que estão longe.  Que as bênçãos do Senhor seja transbordante sobre a sua vida, sobre sua casa , sobre sua família, sobre o seu ministério, querido(a) e amado(a) irmão(ã) em Cristo Jesus. 

sábado, 31 de março de 2012

Conversão ou adesão?



Conversão ou adesão?

Helio Pariz

Outro dia, eu estava lendo histórias de conversão de líderes cristãos bastante conhecidos, algumas delas calmas e silenciosas, enquanto a maioria era resultado de transformações profundas que envolviam corpo, alma e espírito em verdadeiras revoluções. Entretanto, todas tinham em comum o fato de produzirem homens e mulheres muito melhores e mais conscientes do sentido de suas vidas, as quais entregaram – às vezes literalmente - a serviço de Cristo e de Sua igreja.

Essas experiências, algumas não tão antigas assim, se contrapõem de maneira gritante ao discurso que hoje ouvimos em muitas igrejas evangélicas brasileiras, em especial naquelas que são televisadas. A rigor, não se ouve ou vê nelas um testemunho de conversão autêntica, mas de adesão não à fé que dizem professar, mas ao discurso consumista que os seus líderes, digamos, “vendem”.

Adesão é um termo mais comum na política, em que alguém adere a um partido ou ideia, por exemplo, ou no direito do consumidor, em que alguém compra um determinado produto ou serviço, aderindo a um contrato de consumo pré-estabelecido e de cuja formulação inicial não participou.

Ambas as figuras podem ser aplicadas aos “testemunhos” que vemos e ouvimos nessas igrejas, seja pela ideologia (muito mais que teologia) que elas confessam diuturnamente em rede nacional, seja pela adesão a um “contrato de prosperidade” (além do “plano de saúde”) com um “deus” fabricado pela imaginação de seus guias.

Desnecessário dizer (mas mesmo assim dizemos) que as pessoas “compram” esses planos, contratos e ideias pelo seu valor de face, que curiosamente é a onipresença da cara e da voz de seus líderes determinando e dizendo “creiam em mim, porque isso funciona!”. Ao contrário do direito do consumidor, entretanto, eles não se responsabilizarão se o "negócio" não funcionar. A culpa será - convenientemente - de quem não teve "fé"...

Se tanta gente é atraída por este discurso enganoso, isto se deve unicamente à sua concupiscência (Tiago 1:14) que exige um deus que atenda sem pestanejar os seus propósitos imediatos e egocêntricos, mórbida cobiça que os falsos profetas de plantão não só conhecem como sabem aproveitar.

Só que, a exemplo do que ocorre nas relações de consumo, essa fidelidade dura apenas enquanto o “contrato de adesão” está sendo cumprido. Vindo a tribulação, o “consumidor da fé” desiste (já que não lhe deixarão reclamar nem existe um PROCON celestial) enquanto o convertido sabe que ela produz perseverança (Romanos 5:3, 2ª Coríntios 4:17, Tiago 1:3) e segue feliz e seguro pelo caminho estreito da salvação.

Precisamos ver, ouvir e - evangelizando - dar ensejo a mais testemunhos de conversão genuína, tenha ela ocorrido silenciosa ou tumultuadamente, e não relatos de consumidores satisfeitos (provisoriamente) com os resultados materiais de sua adesão a um discurso religioso. Esses nada acrescentam à eterna igreja de Cristo, mas os verdadeiros convertidos, além de causarem alegria no céu (Lucas 15:7), a animam a prosseguir aqui embaixo.


Hélio Pariz é o mais novo colaborador do Genizah e editor do excelente blog "O Contorno da Sombra".